quarta-feira, 16 de abril de 2008

PRESTIGIE A ARTE PARANAENSE ANTES QUE ELA VÁ PARA SÃO PAULO (Samuel Rangel)

Durante muito tempo, Curitiba e o próprio estado do Paraná, permaneceram no ostracismo do meio de produção artística e cultural. Os talentos que por aqui surgiam, tinham que se submeter aos estúdios, empresário e produtoras de São Paulo e Rio de Janeiro, buscando se adaptar aos grandes centros de propagação da arte, e tornando seu produto comercial e financeiramente viável.

Esta posição secundária, de mera produção humana, condicionada à remessa desses talentos aos grandes centros, onde eram lapidados e teoricamente transformados em artistas, acabou fazendo com a população deste estado aceitasse essa condição de submissão.

De certa forma, é assim que nosso estado ficou até os últimos dias. Bandas como Blindagem, Djambi, Regra 4, e tantas outras, artistas como Diogo Portugal, Altamar Cezar e Dig Dutra, poetas como Paulo Leminski e Tatára, músicos como Cabelo e Serginho, Riad Bark e tantos outros, perambulavam pelas ruas da Capital colendo o pouco reconhecimento que Curitiba costumava dar. Não é difícil encontrar João Lopes, de cabelos longos e grisalhos em aniversários, e ao se indagar quem é o cidadão, poucos lembrarem que é dele a música “Bicho do Paraná”.

A arte curitibana e paranaense tinha que transpor fronteiras antes de fazer sucesso por aqui. Não é difícil imaginar que a banda Djambi foi mais aplaudida no exterior, em suas excursões pela Europa, do que nos bares de Curitiba.

Era a nossa realidade.

Então Diogo Portugal é lembrado e indicado para participar de um quadro no Domingão do Faustão. De pronto o sucesso se apresenta, e já na entrevista de Jô Soares, Diogo desfila o seu talento fazendo o próprio apresentador calar e prestigiar todo o talento curitibano.

E a Rede Paranaense de Televisão começa a valorizar nosso produto com a "Revista RPC". Rostos conhecidos de nossa cultura, começam a estampar a tela outrora dedicada exlcusivamente aos atores de novelas.

A mudança é só uma questão de tempo.

Esta antiga cultura, de não produzir além do que precisamos consumir, descende diretamente de nossa origem histórica, onde Matheus Leme e o meu parente longínquo Baltazar Carrasco dos Reis, mantinham em suas plantações o que era apenas suficiente para seu próprio consumo.

No Século XVII, Curitiba estava incrustada na Serra do Mar, cercada de barreiras naturais que impediam a comercialização do que aqui era produzido em outras localidades. A própria descida da serra era extremamente difícil e impedia que os produtos curitibanos chegassem sequer à Paranaguá com alguma competitividade.

Estamos no Século XXI, e a velocidade da comunicação é inacreditável. O produto Curitibano pode ser agora conhecido do outro lado do mundo no mesmo instante em que é produzido por aqui.

Exatamente por isso, é de se ponderar a necessidade de obrigar nossos artistas a migrarem para os “grandes centros”, impondo-lhe as dificuldades próprias de quem se submete a estas viagens em busca dos sonhos.

E se podemos produzir aqui, podemos também consumir aqui com todo certeza. E ao começarmos a consumir nossa própria cultura, além de nos livrarmos de padrões de aculturação dos outros grande centros, estaremos criando condições dignas para que a arte curitibana continue morando em Curitiba, e possibilitando aos artistas a opção de não se submetam às aventuras em outros estados, países, passando todo tipo de dificuldade para tentarem a sorte de um lugar ao sol.

Temos aqui inúmeros talentos, e viagens para outros centros, deveriam ser apenas para expor a outros públicos, a cultura que estamos produzindo por aqui. É da mesma forma admissível a viagem de artistas que buscam reciclar a sua arte, mas tornar Curitiba inóspita a estes artistas, é negar a nossa própria cultura.

Exatamente por isso, tanto quanto lançamos a campanha “Prestigie o Teatro Paranaense antes que ele vá para São Paulo”, gostaríamos de propor o início de um diálogo franco com o público, propondo também uma campanha de valorização de nossa cultura, e um movimento de criação de um centro de produção artístico em Curitiba.

Esta Capital tem o maior Festival de Teatro deste país, e não é difícil acreditar que podemos muito mais, mas o começo está aqui, na casa vizinha, ou no bar da esquina, ou naquele teatro que muitas vezes está vazio.

O começo depende de nossa capacidade de organizar esta evolução, tornando-a interessante aos empresários que por sua vez, devem entender que tanto quanto querem valorizar seus produtos fabricados por aqui, precisam valorizar a capacidade produtiva cultural de Curitiba. Existem leis de incentivo para isso. Existem assessorias de marketing que apontam bons patrocínios.

Os artistas por sua vez, devem buscar a força da união e da parceria, superando com ética a concorrência deste mercado hostil. Donos de bares devem começar a pensar em repassar na íntegra os valores cobrados a título de couvert artístico, abrindo mão um pouco de seu lucro, para finalmente ocupar um lugar honesto perante a cultura deste Estado.

E nós, como público uns dos outros, devemos ter o mesmo carinho para com nossos artistas, que nos desperta os primeiros acordes tocados no violão pelo nosso filho. Nossa capacidade de incentivar essa criança revela exatamente o tipo de pais que somos.

Passe essa idéia adiante, com a certeza de que ela é uma manifestação de nossa cultura, em favor de nossa cultura.

A Campanha está saindo nas ruas primeiro nas costas da camiseta da Companhia Anjos Boêmios, mas deverá tomar outros lugares também.

Para você que está no orkut, foi criada a primeira destas comunidades: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=49903005

Participe. Faça sua parte para testemunhar a capacidade de uma coletividade.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

SOBRE O HOMEM PERFEITO (Samuel Rangel)

Buscando uma melhor divulgação da Peça Analice em Busca do Homem Perfeito, que será apresentada amanhã, no Teatro Fernanda Montenegro (aquele no Shopping Novo Batel), a Companhia Anjos Boêmios fez uma parceria com o site http://www.hagah.com.br/.

Esta promoção consistia em responder a pergunta sobre o que já teriam feito para um homem se fazer parecer perfeito.

O pessoal da administração da promoção, após excluir os nomes, nos mandou as respostas.

Diante da complexidade do tema e do humor inerente à expectativa, resolvemos tecer pequenos comentários acerca das respostas.


1. Fui imperfeito, pois não existe uma pessoa perfeita sem ser imperfeita.

NOSSO COMENTÁRIO? Você namoraria com um filósofo destes? Mesmo sabendo que é imperfeito, diz que a perfeição decorre da perfeição, no paradigma propostos enquanto sob a luz de uma análise cética através da construção de um silogismo alternativo .... blá blá blá – Com certeza esse é o tipo de cara que a mulher reza para ele dormir depois do sexo, para que ela possa fumar seu cigarrinhos em paz.

2. Disse que mudaria de cidade por mim! hahahah, até parece ne? Esses homens falam cada coisa!!!!!!!!!!

NOSSO COMENTÁRIO? Pois é menina. A questão é simples: E você acreditou? E se acreditou, o que você fez? O Cafajeste normalmente é o homem que mais parece perfeito, porém, é um mero truque para carimbar mais uma.

3. haha, acho q nunca tentei fazer isso!

NOSSO COMENTÁRIO: Falou pouco, mas falou Bonito!

4. Me ligou às seis da manhã, num dia de inverno rigoroso, para dizer que queria ouvir minha voz

NOSSO COMENTÁRIO? Isso não é perfeito. Isso é um verdadeiro pé no saco. Por que ele não liga para a mãe dele para elogiar o feijão temperado nesse horário. Com o devido respeito ... vai se ....

5. "Arranjou um carro importado, uma beca e um celular, na verdade era tudo emprestado, não tinha nem onde morar..me levou num hotel 5 estrelas, passou um cheque voador..Me ganhou no paparico".

NOSSO COMENTÁRIO? Querida. Carro importado, beca, celular (até pobre tem dois), Tudo emprestado? Inclusive o celular? E você foi no Hotel cinco estrelas? Vixi! Melhor não comentar.

6. A história é sempre a mesma, ele faz algo errado e vem os outros, "é o jeito dele, ele é assim mesmo", fora os complôs nas ligações suspeitas,e pra piorar o excesso de elogios públicos...E a família sempre fica contra vc dizendo q ele faz tudo, só pq lembra de datas comemorativas,tsc tsc!

NOSSO COMENTÁRIO? Realmente. Você foi vítima de um estelionatário sentimental. Todo falsário sabe bem guardar números e representar papéis. Ainda bem que você se livrou. Mas quanto à família? Procure almoçar fora pelo menos nos domingos. rssss

7. Ele ia me buscar todos os dias na faculdade, e sempre levava um lanchinho...iaiai eu acreditei!! Não é a toa que hoje eu namoro com esse "homem perfeito".

NOSSO COMENTÁRIO? Parabéns. Você está bem acompanhada. Vamos ver quando você se formar, e ver se ele não começa a fugir. Isso normalmente ocorre. Mas se ele não fugir, e começar a topar ir em shopping e tal e coisa, cuidado mulher. Você pode estar dividindo o apartamento com uma “amiga”.

8. usar terno e gravata e fazer pose de "republicano!

NOSSO COMENTÁRIO? Não entendi o republicano, mas terno e gravata eu tenho.

9. Foi me buscar,mesmo tendo que viajar quase mil quilômetros eu ainda casada,tentando assim provar pra mim que seria o Homem perfeito pra mim...O que na verdade isso não existe!!!!

NOSSO COMENTÁRIO? Ou esse cara tem posto, ou esse cara tem posto.

10. Pedi a mão da minha namorada em casamento na Torre Eifel COM A SOGRA DE TESTEMUNHA. É muita coragem não é não??

NOSSO COMENTÁRIO? Parabéns. Você realmente é um cara que saber construir uma oportunidade. Mas me diga uma coisa: Por que não empurrou a velha lá de cima? Viu por que não ganhou os ingressos?

11. Conheci um rapaz, ele gostou de mim, ele teve que ir embora de Curitiba, foi p Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, e no dia do meu aniversário a criatura apareceu aqui em Curitiba para me desejar Feliz aniversário, ele achou que fazendo isso eu pensaria que ele era o homem perfeito.

NOSSO COMENTÁRIO? Certa você! O cara é inseguro e só queria dar uma “incerta”, para saber como você ia comemorar o níver. rssss

12. Sempre falava o quanto ele era família, contava sobre os pais, o orgulho que sentia dos irmãos, quando fui conhecer a família vi que não era tudo aquilo. Ele falava tanto da família que pensei que ele seria perfeito. Já o que eu procurava era alguém pra construir a minha família.

NOSSO COMENTÁRIO? Imagina se você constrói uma família com uma criatura dessas? Daqui 25 anos ia ter uma coitada passando a mesma coisa na tua casa.

13. Eu já tomei um copão de leite pra agradar minha atual esposa no início do namoro. Detalhe: eu odeio leite!

NOSSO COMENTÁRIO? Olha companheiro. Eu acho que um homem não deve se drogar só para acompanhar uma mulher. Você consegue imaginar o mal que te faz soda cáustica e água oxigenada?

14. Aceitou sustentar a sogra e o sogro por tempo indeterminado, já fazem 05 anos.

NOSSO COMENTÁRIO? Isso não é um homem perfeito, isso é um burro minha filha. rssss

15. Falar que gostava de ir para o forró em plena segunda-feira, comer bucho mal feito e até com um cabelo no prato para provar que o amor supera tudo.

NOSSO COMENTÁRIO? Isso não é um homem perfeito mulher. Isso é um porco de cabeça chata.

16. Pareceu ser tão cincero,educado,e disse que me amava.

NOSSO COMENTÁRIO? Se a sinceridade dele era com “c”, era um sincero paraguaio mesmo.

17. Que tal um currículo com as principais informações: estado civil, cor dos olhos, altura, filhos, formação, qtde de ex's, tempo médio dos namoros, motivo do termino do último namoro, últimos lugares frequentados pelo cidadão e ainda contatos para referências... Pode?! Pois é, pode Huhuahauhauhaua

NOSSO COMENTÁRIO? Você deve ser muito boa mulher. Com o pressão do cartucho de impressão atualmente, e com o consumo das impressoras, algo assim vale mais que uma dúzia de rosas.

18. Deletar todas minhas imperfeições, lutar para esconder o defeito até a conquista,depois de conquistado os podres vão aparecendo...E dai...Sai de Baixo..rshrshrshrshrsh

NOSSO COMENTÁRIO? Só você, a torcida do Corinthians, do Flamengo e do Atlético fazem isso.

19. Brigou com meio mundo por mim, me agradava e dava presentes, se arrumava e perfumava. Olhava nos olhos quando falava! Dava carinho e amor. Não que agora não faça mais isso, mas não com tanta intensidade como era antes! Talvez não seja perfeito como eu achava que era, mas é o homem que Amo!

NOSSO COMENTÁRIO? Vai na peça amanhã e fala isso para a Analice. rssss

20. Fui eu mesmo e não fiz nada, pois não há o que possa ser feito para se parecer com algo que não existe (homem perfeito)!

NOSSO COMENTÁRIO? Um homem extremamente transigente consigo mesmo. Ou seja? Extremamente exigente com a mulher.

21. ESCONDEU O COPO DE CERVEJA ATRAS DAS COSTAS!!!!

NOSSO COMENTÁRIO? Eita cara esforçado. Por quanto tempo? Você deve ser um mulherão mesmo.

22. Primeiramente me encantou com anos de amizade, cinco pra ser detalhista. Convidou-me para uma viagem ao Japão com ele. Fez-me juras de amor. Enlouquecia-me com presentes. O cheiro dele me deixava louca. Os seus beijos me tiravam o chão. Mas no final mostrou-se apenas que de perfeito não tinha nada!

NOSSO COMENTÁRIO? Te levou para o Japão? Era Japonês?

23. Ele simplesmente falou: "Eu sou perfeito!"

NOSSO COMENTÁRIO? Realmente os humoristas são encantadores.

24. Fingir que não me incomodo com as freqüentes perguntas de minha mulher querendo saber onde estive, com quem, fazendo o que, e porque não telefonei.

NOSSO COMENTÁRIO? Sua mulher é muda?

25. Me deu uma noite de princesa: hotel, rosas, champagne, bombons, música e juras de amor.

NOSSO COMENTÁRIO? Ok. Mas e depois das juras, realizou mesmo, ou ficou só no universo das idéias?

26. Um menino (a pouco tempo), se dizia ser o homem perfeito pra mim, ele me mandava mensagens, me ligava, escreveu uma música pra mim... enfim, ele era perfeito mas foi então que eu percebi que homens perfeitos não tem a miníma graça. =)

NOSSO COMENTÁRIO? Ok. Mas antes me responda uma coisa: Você quer namorar ou quer rir?

27. ME EMBEBEDARAM E ME FIZERAM ACREDITAR QUE AQUELE CANALHA ERA O HOMEM PERFEITO...PUTZ! SE ARREPENDIMENTO MATASSE!!!

NOSSO COMENTÁRIO? Melhor não comentar!

28. ME MOSTROU O OLERITE DELE.

NOSSO COMENTÁRIO? Eita mulher sincera, desprendida, verdadeira e querida.

29. Me tratou como se eu fosse a mulher perfeita.

NOSSO COMENTÁRIO? Tem dois extremos no homem que são tendentes a corno. O cafajeste e o cara que trata a mulher desse jeito. Você identificou qual tipo era?

30. Tive que piorar um pouquinho.

NOSSO COMENTÁRIO? Eita homem humilde.

31. Abrir a porta do carro para ela poder entrar, presente-ala como jóias, mandar flores e falar que é o único amor verdadeiro que já encontrou. E mais importante sempre dizer que seu corpo esta perfeito e sua roupa é maravilhosa.

NOSSO COMENTÁRIO? Ok. E esse político aí esta concorrendo a que cargo na próxima eleição?

32. Já tive que mentir, dissimular e fingir. Afinal de contas, homem perfeito e saci-pererê só existem na cabeça das mulheres e das crianças, respectivamente.

NOSSO COMENTÁRIO? Que feio rapaz. Mentir tudo bem, mas dissimular e fingir é coisa de mulher.

33. ops nada pois eu com meu carisma sou perfeito apesar de alguns defeitos ,mas o importante e o amor e ninguém neste mundo é perfeito!

NOSSO COMENTÁRIO? Aí. Essa frase só pode ter sido escrita por um casal, ou por um casa de duas personalidade, sendo que uma delas ....

Homem Perfeito!!!

Meu Deus!!!

domingo, 23 de março de 2008

O GRANDE PALPITEIRO (Samuel Rangel)

Cuidado! Eles estão por toda parte! E estão só esperando você começar a fazer algo para te atacar. Se você for pintar a parede de sua casa, um despencará do lustre. Se você for fazer churrasco, um vai ficar em pé sobre a grelha mandando você virar a maldita carne. E não pense que se você for cortar a grama, não vai parecer um daquele que vai dizer que você está fazendo errado.

Os palpiteiros se classificam em várias espécies, mas sem dúvida, a pior delas é o chefe. A única que se assemelha em pentelhação é o irmão mais velho. E é de se convir, que ao se tornar pai ou mãe, você acaba se tornando um palpiteiro também. Mas fazer o que? É da natureza!

Na realidade, enquanto cortava a grama e via uma multidão de vizinhos olhando, eu começava a perceber que ia sofrer um ataque de um palpiteiro. A angústia estava crescendo, e eu sabia que a qualquer momento eu seria uma vítima. Provando que ainda sobrevive no homem um “q” de animal, meu instinto estava certo. E lá veio o vizinho dizendo que eu gastaria muito nylon daquele jeito. Eu tinha que deixar a roçadeira paralela ao chão.

Olhei para ele indignado, até porque, era a grama dele que eu estava cortando. O cidadão podia vender “crédito carbono” com a floresta de mato que deixou levantar ao lado da minha casa. E vez por outra, eu via um mendigo dormindo feliz na filial do Congo que estava ao lado da minha casa. Quando percebi que aquilo colocava em risco a segurança de minha família, juntei os cacarecos e fui cortar a grama do cidadão.

Depois de duas horas suando as cataratas do Iguaçu, o cidadão me aparece no muro dizendo que eu estava fazendo errado. Naquele momento percebi que sou capaz de desenvolver uma surdez seletiva, e o barulho da máquina ainda me ajudava a esquecer do meu querido vizinho, que é meu amigo, mas não corta a grama, e ainda é palipiteiro.

E não é só vizinho. Quando fiz o Cartaz de Analice em Busca do Homem Perfeito, fui feliz da vida mostrar para o elenco. Logo apareceu alguém para dizer: Não gostei. Depois de quatro horas depositadas naquela merda de Paint Brusch (sei lá se é assim que se escreve, mas não venha me dar palpites), a minha melhor amiga, usando de sua sinceridade, vem dizer que não está bom?

O interessante mesmo, é que só não aprece um palpiteiro quando estamos fazendo cagada. Aliás, é exatamente no banheiro, quando despejamos nossa pútrida existência no vaso, é que estamos livres dos palpiteiros. Imaginou a cena? O Palpiteiro dizendo: Vai! Agora! Força!

Aliás, tenho que encerrar o texto aqui, por que meu sobrinho veio ler o que estou escrevendo e vai dar palpite. Meu Deus!!!! Maria José!!!! Me salve dessas criaturas.

E se você não gostou do que eu escrevi, ou acha que poderia ter escrito melhor, cuidado. Você pode ter sido abduzido pelos alienígenas palpiteiros do inferno.

Como meu sobrinho se foi, acho que ainda posso dizer.

Palpiteiros são aqueles lazarentos que embora digam que fazem melhor que você, nunca se escalam para fazer em seu lugar. São pessoas carentes, que de alguma forma, precisam mostrar para eles mesmos, que nossos erros são maiores que os deles.

Mas quer erros? Se eles não fazem nada!

Fecho com a máxima do teatro que aprendi com o grande e talentos diretor George Sada:

NÃO FALE! FAÇA!

sábado, 22 de março de 2008

ESSAS MALDITAS FILMADORAS (Samuel Rangel)

Não me recordo de ter conhecido alguém, que sequer uma vez por outra, não gostasse de cartear fotos antigas, viajando em lembranças de tempos e pessoas, momentos e eventos dos quais fizemos parte com mais ou menos brilho. E lá estavam as máquinas fotográficas espalhadas pelas mais diversas mãos e diante dos mais variados olhos para eternizar aquele momento.

E dentre estas fotos, encontramos aquelas mais belas, e com muita freqüência, algumas engraçadas que até nos fazem rir. Quando usávamos o cabelo da moda, ou a calça que nem pano de chão não é mais.

Sou um destes, mas hoje venho protestar contra a tecnologia. Fotos? Eu sou um admirador de carterinha desta invenção do homem. Porém, quando o assunto passa a ser “filmadoras”, minha opinião muda um pouquinho.

E a minha revolta paraguaia contra essas máquinas infernais, vem das reuniões de domingos. Quando o assunto então são as filmadoras do tipo “grandes fitas VHS”, ainda é mais grave, pois se temos o vídeo, o domingo terá uma capacidade de nos remeter à uma crise de depressão. Qual o motivo?

Domingo é dia de juntar a família, e normalmente se faz isso já antes do almoço. Após a Lasanha da Vovó e alguns goles de vinho, sentam-se todos na sala e colocam-se a conversar. Normalmente um dos presentes acaba se irritando com uma assunto recuperado do arquivo morto, mas são apenas pequenas brigas de família que adormeceram inofensivas após uma semana de reflexão. Quando o consternado foi para a casa, então alguém traz a caixa de horrores. Uma pequena embalagem de Fita VHS. Os olhos atentos miram aquela coisinha que parece inofensiva. Todos se sentam e olham atentos a televisão, que após o clássicos chuviscos do tracking, começa a exibir um filme de terror. E este texto não foi pensado em outro momento que não aquele quando a vergonha me corroia.

Sim. Eu passei por uma seção de tortura destas.

Quando a imagem vem, aparece já nos primeiro trinta segundos, uma imagem de um rapaz magro com calça branca, que a cintura atingia a altura do peito. Olhando acima da calça que parecia não ter fim, via-se uma camiseta que azul com escritos laranjas. Não é fácil descrever a camisa, pois realmente ela fica entre o modelo de um padre e um o de um surfista.

E segue a minha observação da imagem. Quando chega a cabeça do rapaz, vejo um cabelo que alto, tipo capacete, que logo se vê que está dividido ao meio. Naquele momento pensei: Como uma dia isso já foi moda?

Mas a tortura começou quando o cidadão virou de frente. Era eu! Sim. O rapaz vestido de uma versão romântica do Palhaço Goiabada, era eu!

Quando percebi que não havia movimento de ar na sala da minha casa, ainda envergonhado, olhei para os lados, e apreciei uma multidão de vermelhos, segurando a gargalhada que decretaria o final da reunião dominical.

E o povo tentou se segurar, mas não conseguiu.

Vindo da terceira geração da família, o sobrinho engraçadão que até então tinha admiração pelo tio aqui, solta a gargalhada seguida da pergunta: É você tio? Fala para mim que não é você!

E a resposta vem pelas gargalhadas coletivas. Uma multidão de rebeldes que soltam uma gargalhada que não ousariam se estivéssemos sozinhos.

E a seção de horror continua.

Quando numa daquelas entrevistas engraçadinhas que surgiram quando criaram essas malditas câmeras, o meu irmão me dirige algumas perguntas, que para o meu desespero, eu resolvi responder. Quando ouvia a minha voz e meu jeito de falar no passado, surgiu-me então a vontade de teclar um “control+alt+del” no meu domingo. E as gargalhadas voavam soltas pela sala.

A minha vergonha ia crescendo a cada movimento de pingüim do meu passado. E toda vez que olhava aquela calça, tentava lembrar quem fora o maldito que um dia teria escolhido aquele pano em uma loja.

O pior é que essa minha memória boa revelou que havia sido eu mesmo. Lembrei-me do dia em que escolhi aquela calça em uma das araras da C&A. Pensei como aquela loja poderia vender tal insulto aos olhos, e branco ainda.

E a revolta foi tanta que virei o jogo para a vingança.

Quando aparece o mesmo sobrinho, em frente à filmadora, cantando “Abre a Porta Mariquinha” da dulpa Sandy e Junior, foi minha vez de gargalhar. E então eu vi o sobrinho tendo a mesma vontade que eu. Pagando o Gorila do Ano, o sobrinho vê as mulheres da sala rirem alto do rapazinho que agora jura que é pegador.

Mas a vez das mulheres também chegou. O cabelo da época, era algo de realmente inusitado. Entre o volume do cabelo e o couro cabeludo da mulherada, deveria haver ao menos vinte centímetros de fios enrolados. Uma versão penteada do cabelo Black Power.

E quando elas começaram a reparar nas roupas, então a coisa ficou pior.

Era um festival de “Calça Cacharrel”, Calça Gola Olímpica, Calça Tomara que Caia, e tantas outras coisas de pescoço, que todos na sala se colocaram a pensar em quem fora o malditos estilistas que num súbito ataque maníaco, achou que a cintura das pessoas era no pescoço. Interessante mesmo é imaginar o porque de uma camisa, de uma blusinha, se a própria calça cobria o peito?

Após aquela seção de tortura, revoltei-me e como a televisão é minha, desliguei o aparelho e sugerir outra atividade familiar, do tipo lavar a louça, discutir quem faz o que no próximo almoço. E eles relutaram. Então pensei. É hora do golpe fatal. Vamos falar sobre a conta do almoço?

Lentamente a casa foi se esvaziando e eu pude ficar só com minha vergonha novamente, mas para o meu terror, meu irmão levou a fita. Ele me tem como refém.

Por isso, volto a perguntar: Quem inventou essas malditas filmadoras portáteis?

Não sei. Realmente não sei.

Mas nas fotos nos suportamos, pois não nos movimentamos, e não falamos. E as feias? Jogamos fora. Mas nas filmagens a coisa é diferente. Testemunhas insensíveis do que já fomos.

E neste sentido vem o lado bom. Se por um lado envelhecer causa preocupação, por outro nos faz muito melhores do que éramos.