segunda-feira, 9 de junho de 2008

O DIA DOS NAMORADOS, E A NOITE DOS SOLTEIROS (Samuel Rangel)


No Botteghino. Era véspera do Dia dos Namorados do ano passado. Após tocar algumas músicas no piano, sentei-me à mesa junto de algumas amigas. Percebi que havia uma certa tristeza preocupada no ar, como se fosse um desconforto de roupa justa, de sapato apertado.

Já com o copo de cerveja na mesa, comecei a ouvir o assunto que dominava a conversa das meninas, todas belíssimas aliás. O clima pesado não vinha do bar, mas sim da data. Como havia tocado algumas músicas mais envolventes no piano, uma delas havia disparado a frase catalisadora do velório moral que se instalava naquela mesa de bar: “O Dia dos Namorados está aí, e eu estou sozinha”.

Naquele momento, pensando como dono de bar, tive a intenção de resolver o clima, criando uma espécie de “Grupo de Entre Ajuda de Solteiros”, ou um “Solteiros Anônimos”, ou mesmo quem sabe, o “Congresso dos Pega Ninguém”.

Então me coloquei a pensar e falar sobre essa cobrança silenciosa e cruel da sociedade, de que existem dois tipos de pessoas: O primeiro é o das pessoas “felizes que namoram”, e o Segundo é dos “infelizes que não namoram”.

Pois bem. Se é assim, às favas com essa cobrança.

A verdade é que tem muita gente namorando e é infeliz demais, ao passo que tem consumidor de porção única de supermercado que está mais tranqüilo do que o Bill Gates.

Esse Dia dos Namorados, criado pelo comércio para atender aos interesses dos comerciantes no mês que está distante do Natal, não é, não pode ser, e jamais será o dia mais romântico de um casal.

Além do que, estar solteiro neste dia, acarreta em vantagens enormes para os solteiros de plantão. Algumas?

Considerando que toda traição começa com um relacionamento, você é um dos poucos que tem cem porcento de certeza de que não é corno. Falta o elemento humano para você ostentar um belo par de chifres;

Considerando que o namorado, ou a namorada, espera uma “lembrancinha”, do ponto de vista financeiro, ser solteiro é dinheiro em caixa no dia 12 de junho;

Considerando que você tem dinheiro em caixa, use esse dinheiro para se tratar bem. Se é mulher, gaste no salão o valor daquela jaqueta que você ia dar para ele. Se você é homem, imagine a quantidade de cerveja que será totalmente sua. Se você toma um Black, dessa vez você pode pedir aquele do rótulo azul, ou mesmo um dourado;

Você não será um dos 318 casais na fila daquele restaurante japonês, naquela noite em que até o macarrão vem cru.

Você não terá que trocar o restaurante japonês, pela pizzaria e a pizzaria pelo Au Au, para ver se mata a fome.

E depois de comer aquele Au Au para não desmaiar de fome, após quatro horas de inferno que você passou para tentar chegar ao paraíso, você se encaminha para o motel. Quando você encosta o carro, descobre que seu Golzinho Mil é o décimo sétimo na Fila. Na porta do Motel, um anúncio informa à fila de afoitos (tempo estimado de espera, não estimado – pois aquele último casal já passou pela portaria se pegando).

Então você resolve ir no Verde Batel. O Verde Batel da Manoel Ribas, está com a fila chegando em Santa Felicidade. O tempo está jogando contra. Já passa da uma da manhã, o sushi está pronto para ser dispensado, e você nada.

Então o rostinho da sua companhia começa a mudar.

Se você é homem, provavelmente ela vai deixar escapar o descontentamento com uma frase do tipo (podia ter pensado nisso antes), e se é mulher vai ouvir o romance acabar quando o cara revelar o plano B (meus amigos estão no Camaleão assistindo a final do Vale Tudo no Japão. Vamos lá?)

A noite acabou, pois dois bicudos que não se beijam, vão acabar indo para a casa sem nenhum romance.

Agora volto a perguntar: Tem certeza que quer uma companhia para o dia dos namorados?

Estar solteiro no dia 12 de junho, é como qualquer outra coisa na vida. Tem seu lado ruim, mas tem suas vantagens também. Apenas pense que quem deve decidir o dia de estar só, ou o dia de estar acompanhado, quem deve decidir é você, e não o comércio. Quem deve decidir seus compromissos para uma noite, é você, e não a campanha publicitária daquele shopping, pois sinceramente, tanto o cara que aparece na propaganda, quanto a menina de olhos apaixonados, são bem mais bonitos que eu, que você e que a maioria das pessoas comuns. Além do que, eles estão maquiados.

Então, vamos ressuscitar a célebre frase que uma vez, embriagado, eu usei lá no Ponto Final: Ninguém é ninguém sem ninguém!

Se você é solteiro, use o dia 12 de junho para você, e se você tiver vontade, encontramo-nos no Ice Beer Hot Bar para dar boas risadas de tudo isso, e quem sabe criar o “Grupo de Entre Ajuda de Solteiros”, ou um “Solteiros Anônimos”, ou mesmo um “Congresso dos Pega Ninguém”.
Ps.: Acabei de lembrar mais uma vantagem. Quando estamos solteiros, uma pizza brotinho é suficiente. E a vantagem maior é que podemos escolher os dois sabores. Não somos obrigado a pegar um pedaço de quatro queijos misturada com aquela pizza de Giló com Chocolate que a sua namorada tanto adora.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O BRASILEIRO É ECONÔMICO (Samuel Rangel)

(Foto da peça Analice em Busca do Homem Perfeito,
onde o Ator Cleiton Amorim interpreta o bêbado Pudim).

Recebi hoje do meu grande amigo Daniel Canha uma pesquisa que revela o quanto o povo Brasileiro é econômico.

Segundo o texto, um estudo recente conduzido por uma Universidade Federal, mostrou que cada brasileiro caminha, na media 1.440 km por ano, enquanto outro, feito pela Associação Medica Brasileira mostrou que na media o brasileiro toma 86 litros de cerveja por ano.

Se os estudos não contassem com a participação de sabe Deus quem (eu suspeito do Canha), eles jamais seriam cruzados e o valor da informação seria perdido. Confrontando-se os dois números, chega-se a conclusão que na media, o Brasileiro faz 16,7 km por litro.

Levando-se em conta que o consumo médio de um carro popular é muito maior que isso, chega-se a conclusão de que realmente o “tal do brasileiro” é praticamente uma motoneta (essa consideração já é minha mesmo).

E chego a essa conclusão por levar em conta o que um brasileiro carrega, e que faz qualquer carrinho mil ter um piriri de inveja. Vejamos.

O Brasileiro carrega:

1) 43 % de impostos;
2) Um Governo Federal beócio;
3) Um Poder Legislativo Corrupto;
4) Uma Justiça Tetraplégica;

E quando você olha o porta-malas cheio, você acha que o Brasileiro vai arriar. Que nada. Então você vê abrirem-se as portas de uma espécie de Kombi humana, e você vê que o passante ainda tem força para carregar:

1) A mensalidade de um Plano de Saúde sacana;
2) A mensalidade do Colégio do filho menor;
3) A mensalidade do Cursinho do filho do meio;
4) A mensalidade da Faculdade de Medicina da filha mais velha
5) Shopping aos sábados;
6) Entradas para o Futebol aos domingos;
7) Entradas para um cineminha por mês;

Pronto. Agora você acha que arreou a carcaça. Nada. O brasileiro ainda carrega:

1) Uma sogra pesadona;
2) Um Cunhado Folgado;
3) E um chefe lazarento;

É mole?

Então coloque isso na ponta do lápis, e você acaba chegando a mesma conclusão a qual cheguei. O Brasileiro é na realidade um caminhão que carrega esse contêiner, e consome menos que aquele carrinho que esquenta subindo a Serra do Mar na volta das férias.

Isso sem contar que o brasileiro ainda usa combustível ecologicamente correto, e a poluição que gera via de regra não afeta a atmosfera (isso depende da marca de cerveja que consome), o resíduo do consumo é facilmente absorvido pela natureza.

Então não há outra coisa a fazer, que não seja: PALMAS PARA O BRASILEIRO!!!

Lógico que os números, como estão na média, não podem ser levados em conta como absolutos.
Se você mulher, pretende adquirir um brasileiro para seu uso pessoal, leve-se em conta:

1) Dependendo do ano de fabricação, o porta-malas já não aceita tanta coisa;
2) Em que pese o consumo médio, tem muito brasileiro de segunda mão que bebe como um caminhão e não carrega nem o que o carrinho mil leva;
3) Existe brasileiro que consome mais, mas é mais rápido (não que isso seja uma qualidade);
4) Existe brasileiro que consome menos, e é mais bonito (não que isso seja uma qualidade);
5) Existe brasileiro que não consome nada (onde é que você quer chegar com um brasileiro destes?).

Bem...

De qualquer forma, vou parar o texto por aqui, pois preciso abastecer.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O CAMPEONATO BRASILEIRO, LIVRE DE CAGADAS (Samuel Rangel)


Tabela corrigida, considerando a analução dos gols de Coritiba (Coritiba e Cruzeiro) e Atlético (Palmeiras e Atlético) na Quarta Rodada, bem como o Pênalti não marcado em favor do Coritiba (São Paulo e Coritiba)na Terceira Rodada

PG - Pontos Ganhos
J - Jogos Disputados
V - Vitórias
E - Empates
D - Derrotas
GP - Gols Pró
GC - Gols Contra
SG - Saldo de Gols
% - Porcentagem de aproveitamento dos pontos


O BRASILEIRO 2008 -


LIVRE DE CAGADAS



Levando-se em conta que:



a) O Campeonato Brasileiro de 2008, iniciou-se já profundamente eivado de vício pelo prejuízo gerado pelas arbitragens pífias, e “queirolescas”, de árbitros que costumam favorecer os times de outros estados em detrimento dos times paranaense;

b) A CBF é gerida com menos seriedade que o nosso bar;

c) Futebol está definitivamente virando coisa de gente sem vergonha;

d) Mãe de juiz de futebol não tem culpa, pois o aborto é proibido no Brasil;

e) Pai de juiz de futebol não pode ser responsabilizado em virtude desta paternidade ser questionável;

f) O torcedor paranaense está cansado de ficar com os glúteos na janela;

g) Ninguém é ninguém sem ninguém;

h) Você pra mim é problema seu;

A turma de Anjos Boêmios resolve criar o campeonato paralelo O BRASILEIRO 2008, Livres de Cagadas.

Como diz aquele que já fez tantas cagadas, a regra é clara:

REGULAMENTO:

Artigo Primeiro – O Brasileiro 2008 Livre de Cagadas, será um torneio paralelo ao Brasileirão 2008, levando-se em conta os resultados das partidas daquele campeonato.

Parágrafo Único – Diferentemente do tornei organizado pela CBF, este campeonato levará em conta as regras do Futebol de acordo com as seguintes alíneas:

a) Pênalti é pênalti;
b) Falta é falta;
c) Gol irregular é gol irregular;
d) Gol legítimo é gol legítimo;
e) Cartão amarelo é cartão amarelo;
f) Cartão vermelho é cartão vermelho;
g) Acréscimo é Acréscimo;
h) Impedimento é Impedimento;
i) Escanteio é escanteio;
j) Tiro de meta é tiro de meta;

Artigo Segundo – Serão consideradas as cagadas dos juízes infelizes para o efeito de corrigir o resultado final da partida, sempre que um juiz prejudicar algum dos times em disputa.

Artigo Terceiro – Será declarado Campeão o time que somar o maior número de pontos corrigidos ao final do campeonato.

Artigo Quarto – Será declarado Cagão 2008 o juiz que deliberada ou incidentalmente cometer o maior número de erros ao longo do campeonato.

Artigo Quinto – Não haverá troféu para o time campeão, bastando apenas a declaração do título.

Artigo Sexto – O Cagão 2008 receberá um troféu comprado em algum Sex Shopping, com tamanho proporcional ao valor arrecadado na vaquinha feita entre a turma do Ice Beer Hot Bar.

Artigo Sétimo - Caso dois ou mais clubes tenham o mesmo número de pontos, os critérios de desempate são, pela ordem:

a) maior número de vitórias;

b) maior saldo de gols;

c) maior número de gols pró;

d) confronto direto (quando o empate ocorrer apenas entre dois clubes);

e) menor número de cartões vermelhos recebidos;

f) menor número de cartões amarelos recebidos;

g) sorteio

Artigo Oitavo – O resultado final deverá ser considerado mais sério do que aquele declarado pela CBF, por que esse será decidido em um bar, e não em um lupanar.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

E A PRIMEIRA MOTO? NÃO CONTEI? (Samuel Rangel)




Quando escrevi o texto contando do meu primeiro carro, aquele mesmo que pegou fogo, ele poderia ter sido o segundo. Sim. Eu havia tido a oportunidade de comprar meu primeiro carro uns dois anos antes, quando vi no Alô Negócios (leitura de cabeceira do universo pobre), um anúncio que dizia: “Vendo DKW precisando de reparos. Aceito troca também”.

Disquei o número do anúncio e pedi informações sobre o bólido. Depois de três ou quatro ligações, o vendedor me dá um retorno informando que aceitava minha proposta, algo em torno de R$ 150,00, um som 3 em 1 Gradiente com Tape Deck, e um violão Giannini modelo Signorina.
Guto, meu amigão, cansado de me emprestar a Brasília para minha noites “calientes” no Verde Batel, passou em minha casa, carregou o carro com os badulaques da barganha, e fomos felizes para a Vila Tingui para efetivar o negócio da China.

Lá chegando, um DKW, motor 3 cilindros e 3 bobinas, mas só dois tempos, vermelho ao que se via por baixo da poeira. Enquanto verificava o funcionamento do DKW, fui interrompido pelo Guto para perceber um pequeno detalhe. Enquanto o motor funcionava, eu não havia percebido que por trás do DKW, havia sido construído um muro.

Por mais incrível que pareça, o carro estava ali há tanto tempo, que construíram um muro atrás do carro, trancando-o entre a casa e o próprio muro, com não mais de 20 cm na frente e atrás. Quando perguntei ao vendedor como faria para retirar o carro, ele me disse que seria necessário derrubar o muro.

Até aí sem problemas, mas quando o vendedor me disse que a recontrução do muro seria por minha conta, descobri que eu estaria pagando pelo DKW o preço de uma Vemaguet. Como eu não tinha a grana para reconstruir o muro, desisti da compra e dei adeus ao DKW.

Com o som no carro, o violão e a grana no bolso, voltei para casa triste, e Guto ainda incomodado com o lance dos empréstimos do carro.

Como eu precisava me libertar daquela situação, resolvi então desistir de comprar um carro, e resolvi comprar um meio de locomoção.

Com alguma grana a mais, não demorou para aparecer a oportunidade de comprar uma moto Honda CB350. O vendedor veio com a moto até a minha casa, o que significava que ela realmente era um meio de transporte (e não estava dentro presa entre um muro e uma casa). Duas horas de negociação como que jogando bafo na frente da minha casa, e a moto era minha. E o Guto se mandou com o vendedor dentro da Brasília, levando o som, o violão, e uma luneta.


Fiquei radiante, e aquele foi meu meio de transporte durante um longo tempo.

Até aí não há nada de engraçado, porém, há detalhes a esclarecer.

A CB 350, é uma moto com motor 2 cilindros, dois carburadores e duas bobinas, apesar de ser 4 tempos. Era uma moto extremamente difícil de regular, e por causa disso, eu era cliente assíduo do “Sujeira”, um mecânico excelente mas com um humor de inspetora de colégio. Com 3 visitas por semana, o mecânico acabou me expulsando de sua oficina me dando um simples conselho: VENDA ESSA MERDA!!!!

Como não havia comprador, continuei com ela ainda durante um bom tempo. O defeito era simples. A moto era tão temperamental quanto o Sujeira. Como o motor era dois cilindros, raros eram os momentos onde os dois trabalhavam em harmonia. Normalmente eu tinha uma moto 350, funcionando como uma 175, e consumindo como uma 700. Até aí tudo bem.

O grande problema era quando eu, acostumado a acelerar com um cilindro só, via o outro voltar a funcionar sem aviso. Quando isso acontecia, a moto 175 dobrava a potencia e empinava, quase jogando para fora esse condutor que lhes escreve. Passei a ser conhecido então como o “louco da motocicleta da Campina do Siqueira”. Esse apelido não me caía bem, pois era injusto. O certo seria o “cara da motocicleta louca”.

Com o passar do tempo, os dois cilindros começaram a fazer greve juntos. Então eu andava pela rápida do Campo Comprido quando simplesmente o motor desligava sozinho. Como não dá para fumar andando de moto (eu sei por que queimei algumas vezes os cílios e as sobrancelhas tentando), eu descia da moto e acendia meu Carlton para esperar a boa vontade da motocicleta. Após normalmente um cigarro, mas as vezes dois, a moto voltava a funcionar e eu podia seguir para a minha casa.

Numa dessas vezes, o Guto vinha acompanhando com sua Brasília, até que, na curva do pinheiro, a moto desligou. Acendi o cigarrinho e pronto. Após o último trago, a moto pegou, e o motor parecia roncar forte. Quando arranquei, descobri que havia algo errado, pois a moto empinou e saiu em alta velocidade. Um motoqueiro que havia passado por mim muito rápido, viu com espanto quando eu e a maluca motorizada passamos por ele a mais de 140 km/h. Quando eu já me sentia dono de uma potente moto, ela morreu novamente, e o motoqueiro passou por mim rindo.

Em outra oportunidade, dois moleques montados em uma RDZ 135, me provocavam para uma corridinha de uma quadra. Quando arranquei, qual não foi minha surpresa de saber que apenas um cilindro funcionava. Tomei uma surra de dois moleques, montados em uma moto com um terço da potência. Senti-me um tanto envergonhado, mas como a Batel, em pleno domingo, começou a rir e coro, eu acabei percebendo que eu tinha futuro como comediante. Já como motoqueiro? Motoqueiro não.

Após algum tempo troquei a moto por um casal de papagaios, mas que acabei descobrindo ser um casal homossexual. Tudo bem. Eu não queria tirar cria mesmo.

Se duvidar de algo, pergunte para o Guto.