quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

AMIGO SECRETO, A CEIA E OUTRAS COISINHAS. ACERTOS E DESACERTOS NA NOITE DE NATAL MODERNA

Analisemos então. Das diversas formas, invenções, tradições e ilações da noite natalina, quais realmente são aquelas que guardam algumas relação com o que realmente tem valor. Parece-me que da forma que estamos comemorando o Natal, estamos nos metendo em uma porção de dificuldades que acabam, destroem, e expulsam de nossa cabeça qualquer possibilidade de festejar o Natal em paz. É importante lembrar que todos estão saindo da fase estressante da busca de presentes, decepcionados com o décimo terceiro, preocupados com a viagem para a praia. Então a noite de Natal deve ser dissecada e revista, para que os pequenos detalhes incômodos sejam cautelosamente extraídos de nossos hábitos.
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Mas nem tudo é negativo. Algumas idéias novas que foram inseridas pela realidade atual são bem interessantes. Uma delas é aquele sistema de Amigo Secreto no qual nem você sabem quem é que vai receber seu presente. Cada um leva seu pacote e o coloca sob a árvore. Após isso, números são distribuídos dentre os presentes que irão participar da brincadeira. Quando sorteado o seu número, você vai até a árvore e escolhe o seu presentinho. Você volta ao seu lugar como um bom menino, abre o pacote e mostra a todos o que escolheu. O primeiro lado positivo é que você nem sabe quem comprou aquele presente, e se for um sabonete da Avon em forma de anjinho, você nem tem como olhar feio para ninguém.
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Mas aí é que começa a diversão. Outro número é sorteado e a pessoa levanta-se e vai escolher o seu. Porém, se esta pessoa gostou do presente que você escolheu, ela pode vir com a maior cara de pau e tomar o seu pacote aberto, retirando-o de suas mãos sem qualquer constrangimento, e tudo isso em meio a gargalhadas da família inteira. E lá vai o primeiro ensinamento do Natal, fazendo com que você aprenda a lidar com a perda.
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Mas calma, lógico que você não vai ficar sem presente. Após o roubo qualificado pela cara de pau do seu cunhado, você tem direito de escolher outro que esteja embaixo da árvore. E lá vai você, novamente, e desta vez você nem quer algo tão bom, pois não deseja que o próximo sorteado venha tirar de suas mãos o precioso pacotinho que você tinha gostado tanto.
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Esse é um sorteio de amigo secreto bem interessante, e o bom é que, além de afastar qualquer tipo de discriminação (você não vai discriminar sua sogra por exemplo, pois nem sabe quem vai ganhar seu presente) ele é pedagógico. Exatamente. Além de ensinar a lidar com a perda, ele é pedagógico pelo fato de que você descobre que ficar na média já está bom. Se aquele sabonetinho não parar na sua mão no final da brincadeira, já está valendo. Isso significa que o empate, fora ou dentro de casa, já é um bom negócio.
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Lógico que, se você não fizer uma boa oração antes de tudo as coisas podem ficar feias. Também é de bom alvitre evitar que membros da família entrem com objetos contundentes para o sorteio. Outro elemento de cautela bastante positivo, é levar as regras escritas e afixar em uma parede antes do começo da brincadeira, pois sempre haverá alguém discutindo as regras. Se você tiver advogado na família, escreva as regras por artigos, incisos e alíneas, evitando deixar lacunas, mas mesmo assim, tome a cautela de chamar um vizinho fortão para a mediação para o caso do doutor resolver questionar alguma coisa a mais.
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Outro elemento pedagógico, é que é a mais pura demonstração de que os últimos serão os primeiros. Quanto menos pessoas ficarem para depois de você, menor a possibilidade de que alguém venha lhe tomar o seu pacotinho mediano das suas mãos.
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Mas em nível de sugestão, gostaria de dizer que acho interessante que pessoas acima de noventa anos, sejam classificadas como “café com leite” (não vale roubar o presente delas). Tente imaginar meu sobrinho de noventa quilogramas tentando tirar o presente de minha avó de noventa anos. É um caso típico onde noventa contra noventa não é justo e nem vai dar empate (apesar de que minha avó chegou a emparelhar a contenda por alguns instantes antes de capotar para trás do sofá da sala).
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Agora todo mundo sabe que o Natal é mais que Amigo Secreto e presente.
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Depois do lado material, é bem provável que o lado espiritual do Natal se proponha. Então alguém pede para fazer uma oração, e outro completa. Evite ladainhas, e rodeios. Vá direto ao ponto, para evitar que no final das contas, a coisa se estenda mais que a Missa do Galo (com o devido respeito).
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Você nota que algumas pessoas no meio da oração, começam a rezar para aquele Tender sair flutuando direto para a sua boca. Outro fica de olho no Fios de Ovos e nas cerejas. Mas aqueles que realmente têm sua religiosidade, estarão lá orando e manifestando sua fé. O único cuidado é se crenças divergentes se encontrarem na mesma sala. É importante que os presentes evitem discussões dogmáticas na noite de natal. Convidar seus cunhados já é problemático, mas se eles entrarem em discussões sobre a fé, a coisa vai acabar complicando.
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Acabada a fase da oração, alguém sugere uma canção clássica de Natal, porém, vamos combinar: canta que sabe o tom e a letra! Aqueles que não tiverem noção de tom e afinação, balbuciam as palavras bem baixinho. Mas aqueles que não sabem a letra, por favor não façam nada. É difícil ouvir uma versão alternativa para Noite Feliz. Além disso, o pior é que, ao começar a cantar errado, os “sabem nada” abrem oportunidade para que surjam os maestros. Exatamente. Então antes do tempo do verso, alguém fala a letra bem alto para que todos cantem certo. Conseguem imaginar? Não. Então eu desenho. Isso acaba criando uma versão de Noite Feliz no estilo Padre Marcelo Rossi.
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Mas após tudo isso, vem a comida.
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Eu apenas não entendo uma coisa. Se o Natal é uma noite de confraternização, por qual razão alguém inventou essa história de que, para todo mundo comer como louco, alguém tem que ficar torrando a barriga no forno para assar aquele peru do tamanho de um ganso. Aliás, isso é uma coisa interessante. Quanto maior a dificuldade financeira da família, maior é o peru para a ceia. Não é difícil ver pessoas se armando nos setores de ferramentas daquele supermercado, para enfrentar a briga no setor de congelados.
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E esse exagero acaba dificultando a própria confraternização, pois todos sentam-se a mesa como se preparassem o estômago o ano inteiro, e não conversam durante o jantar de horas, porque alguém combinou que falar de boca cheia é falta de educação. Depois que acabam o jantar, as sobremesas completam os últimos espaços vazios das entranhas de todos os presentes, e após isso, ninguém começa uma conversa interessante. O que se vê é uma multidão se jogando nos sofás (agarrada ao seu presente do Amigo Secreto) que mal conseguem mexer os olhos. E lá se vai mais uma vez a possibilidade de qualquer tipo de confraternização.
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Após isso, cada um entra no seu carro, e alguns entram no carro do outro, para se dirigirem empanturrados para as suas residências, para que no dia seguinte, tudo isso se repita. A vantagem é que no dia 25, ninguém vai se ferir novamente no amigo secreto.
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Ps.: Tirando as caricaturas e exageros, esse é um texto que busca apenas trazer algum sorriso para o leitor, pois meu sobrinho não tem noventa quilogramas e minha avó, apesar de ter noventa anos, não se machucou quando tombou para trás do sofá. (47290)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

UM CONVITE ESPECIAL

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Um convite para uma festa diferente. Uma festa interior que acontece na sua própria alma. Uma confraternização com sua vida e com seus momentos. Uma festa daquelas que pouco temos feito, muitas vezes por não ter mais tempo para nós mesmos.
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Convido você, para que neste Natal esteja consigo, e nesta oportunidade, tenha tempo de refletir sobre a benção que é a vida.
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Espero que você possa nessa reflexão, estar em meio aos seus familiares, para que eles acolham sua alma e suas palavras, seus gestos e seu silêncio quando esse se fizer necessário.
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Espero que nesta data especial, você possa ter algum tempo, para pensar alto, além dos limites de nossos pés e muito acima do ponto onde nossas mãos alcançam. .
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Espero que você nessa reflexão, descubra que você é uma benção para as pessoas que você conhece, e ainda que você chegue a conclusão de que não andou certo com alguém, que você descubra que é sempre é tempo de mudar, e quando a mudança é para melhor, o universo conspira a favor do perdão e da fraternidade.
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Espero que você tenha tempo ainda, para saber que embora a vida nos tire de perto uns dos outros as vezes, até porque é impossível estar com todas as pessoas que gostaríamos, eu desejo a você todo o bem que o mundo possa reservar, e com este gesto de carinho, proponho a você a inauguração de um ano onde a paz, a calma, a tranquilidade, a compaixão, a fraternidade e a fé em um mundo melhor possam ser a marca de nosa revolução de paz.

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Feliz Natal e um Ano Novo de paz, muita paz.

sábado, 20 de dezembro de 2008

BOAS FESTAS



Mais um ano chega aos seus últimos dias, submetendo-se à nossa análise, ao balanço de tudo que nos aconteceu. E 2008 será a partir de alguns dias, apenas uma página a mais no nosso livro, um punhado de lembranças e o ano em que Felipe Massa perdeu o título mundial duas curvas antes da chegada. Mas a vida não é só Fórmula 1, ou é apenas parecida com ela. Poucos vitoriosos e muitos vencidos.
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E mesmo sem querer, acontece que nesta fase do ano, temos a tendência de olhar mais para si. O que eu fiz esse ano? Quais minhas conquistas? O que eu levo de bom daqui para a frente? Essas e mais mil perguntas ficam bailando em nossa cabeça entre uma conta e outra para os presentes de Natal. E ao contrário do que realmente deveria ser, olhamos muito mais para nós do que para os outros. E essa nossa natureza egoísta, não nos deixa sem punição, pois temos a impressão de que as coisas andam acontecendo conosco como versões de mau gosto das pegadinhas de Faustão.
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Mas se há algum tempo, todos sabem que o mundo anda doente, não é de se esperar que o ano de 2008 seja lembrando como o ano mais feliz de nossas vidas. A violência explode em todos os cantos, e Isabela Nardoni não terá pacotes sob à árvore. A política continua autofágica, mastigando almas de políticos e transformando-os em um contrato social de gaveta. A situação financeira parece ainda mais injusta, e os bolsões de miséria purulenta continuam a sitiar Curitiba e todas as demais capitais de nosso país. A natureza começa a dar sua resposta aos desmandos do homem prepotente, fazendo desaparecer completamente não só a vida de algumas pessoas, mas suas casas, suas histórias e qualquer perspectiva que tinham, como se viu em Santa Catarina. O respeito entre os povos continua sendo mera retórica, enquanto os americanos continuam mantendo tropas no Iraque, e relembre-se ainda que essas tropas na sua grande maioria são de não americanos, latinos e imigrantes que se mandaram para lá em busca de uma vida melhor. Hoje a vida melhor que têm é a estampa de um fuzil e um capacete cobrindo olhos aterrorizados pelos atiradores árabes ocultos.
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E nós, nessa paulicéia desvairada, começamos a reclamar dos presentes que temos que comprar, e de forma profana, esquecemos o quanto é bom ter as pessoas a quem dar presentes vivas e por perto. Perdemos o respeito ao luto de tantos, que o que mais desejam, era que alguns de seus entes queridos ainda estivessem entre nós. E agora, é de se perguntar se temos o direitos de reclamar de algo. É como fazer anos. Não há como viver muito sem somar a idade correspondente. A benção de envelhecer é poder dizer a cada ano que somamos mais um, enquanto tantos não tiveram a mesma sorte.
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Deixando de lado as questões coletivas, nós, essa suposta evolução do Homo Sapiens, hoje somos reféns de uma série de desejos, sonhos e imposições de um mundo extremamente consumista. Aprendemos que estudar dos cinco aos vinte e um anos é pouco, e por isso, vemos crescerem faculdades de cursos de pós-graduação, especializações em efemeridades, doutorados sem função e uma série de outras balelas que insistem em nos dizer, que hoje o ser humano vale pelo que sabe, e não pelo que haje.
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E nessa indústria de almas insatisfeitas, vemos crescer todos os tipos de absurdos. Síndromes nunca antes aventadas pela psicologia, hoje são comuns entre a população. Terapias são tão necessárias que algumas pessoas dependem realmente desse tratamento.
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Sem querer ser messiânico, quem sabe essa onda gigantesca de distúrbios, surja exatamente no desencontro do ser humano consigo mesmo. E afastando-se de si, ele afasta-se de família, dos amigos, e de tudo que sabemos que é imperativo para uma vida saudável. E nessa multidão de solitários, vemos o pai ausente querendo compensar suas faltas paternas com presentes de última geração. Vemos mães buscando uma viagem com o filho para compensar a eternidade de horas que passou em salões de beleza e nos shoppings. Uma multidão de insatisfeitos que sorriem com o carro novo que adquiriram, mas perderam totalmente a capacidade de olhar o por do sol.
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E seria tolice tentar argumentar de que não me encontro nesta multidão. Lógico que eu sou mais um destes que vestem cinza pelas calçadas geladas da cidade que não tem mais alma e nem sorriso.
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Mas ao menos, devo agradecer a oportunidade de enxergar isso, para me recolocar nos rumos certos. Sei que perdi amigos ao longo deste ano, e aqueles que perdi por culpa minha, peço desculpas pela minha falta de sensibilidade no trato da amizade. Aos que se foram por seus próprios erros, eu lhe dou meu sincero perdão, pois tal qual eu, somos feitos de erros e acertos, e apenas estamos tentando viver. A aquele que demonstraram que nunca foram amigos, e sua presença ao meu lado era puro interesse, espero que a vida lhe dê o que tanto buscam, para que nunca mais tenham que cometer o erro de misturar interesses com amizade.
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Ainda em relação aos amigos, hoje reconhecendo os falsos dentre os que estiveram ao meu lado, tenho algo muito maior que a tristeza que isso me traz. Tenho a alegria de reconhecer os verdadeiros, e a eles vou dedicar seu devido valor.
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Mas é Natal, e parece que há muito tempo, a humanidade anda esquecendo do aniversariante. E quando Papai Noel tomou o lugar do presépio, é porque realmente andamos dobrando esquinas erradas na corrida da vida. Nada que não possamos concertar.
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Espero que todos aqueles que possam, estejam com suas famílias neste Natal, e quem sabe, se acharem interessante, leiam estas palavras como forma de comemorar o que realmente tem valor.
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Desejo que todos nós tenhamos um pouco mais de tempo para a espiritualidade daqui para a frente. Para saber que mais do que um presente caro, o abraço e o carinho fraterno renovam a alma e edificam as relações.
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Desejo a pais e filhos que voltem a conversar sobre valores.
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Desejo que os casais encontrem tempo para conversar sobre o amor.
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Desejo que as pessoas que se cruzam afoitas pela rua, encontre tempo para se enxergar uma às outras, e nesse olhar, enxergar a semelhança e a fraternidade, superando o egocentrismo natural que deve ser vencido.
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Desejo aos jovens que entendam que a moda é efêmera, enquanto o caráter é eterno, proporcionando o levante em socorro dos valores que a humanidade deve preservar.
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Espero que todos nós tenhamos gradativamente, mais tempo para conversar e ouvir nosso filhos, seus medos e descobertas, suas façanhas e seus sonhos, para que quanto mais cresçam, mais sejam conhecidos por nós e na recíproca também.
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Espero que os idosos recebam mais atenção, para que contem a nossa própria história, para que ao menos saibamos de onde viemos, e possamos imaginar para onde vamos, mas principalmente, para nos capacitar a contar a história de nossos filhos.
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Desejo que as empresas, sociedades, e os trabalhadores, façam um pacto de paz durante os próximos tempos, para que o homem receba o que é justo, e para que a justiça financeira seja o princípio de uma justiça social para a sociedade em que vivemos.
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Desejo a todos, que tenham tempo nesse Natal para lembrar-se do aniversariante, Jesus, seja qual for sua fé, apenas para refletir sobre o que o amor é capaz de fazer. Palavras que se eternizaram por dois mil anos, simplesmente por que foram ditas com amor e verdade.
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Desejo a todos um feliz e verdadeiro natal, e um ano novo justo, pois as justiça é a mais sólida catalisadora da paz que eu desejo a todos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

JUCA, O TUBINHO BRANCO E O NATAL (Samuel Rangel)



Dezessete Contos em um só Natal.

Juca é mais um brasileiro, daqueles que faz cálculos na ponta do lápis, olhando a caixinha de sapato cheia de boletos bancários, para ver se poderá levar as crianças para andar no “carrinho de choque” do parque Alvorada no Barigui. E como todo profissional liberal, houve meses que ele conseguiu levar os moleque três finais de semana, inclusive num deles, cada filho pode andar duas vezes, e por mais incrível que pareça, cada um em um carrinho.
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Entre altos e baixos, numa semana comendo frango congelado, e no outro frango defumado, que as crianças adoram chamar de “frango de natal”, Juca e sua família sempre levou uma vida tensa nas finanças, mas bem estável no aspecto emocional.
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Mas como todo brasileiro, quando começam a acender as instalações de pequenas lâmpadas, uma nostalgia e um frio na barriga tomam conta de Juca. É dezembro, o mês com certeza mais difícil de atravessar com esta vida incerta de profissional liberal. Todo homem que se presa neste mês, e que não sabe o quanto ganha, ou o quanto deixa de ganhar, espera o dia 23 de dezembro para descobrir quanto poderá gastar com os presentes.
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Aquele mês de dezembro não começou bem. O amigo ao qual havia emprestado um dinheiro, já comunicou a impossibilidade de pagar o empréstimo. Além disso, houve uma queda no volume dos negócios, pois seus clientes já estão se mandando para as praias e não movimentam mais o caixa. E dezembro passa atropelando as semanas enquanto o caixa de Juca continua no vermelho. Quando chega o dia 20, ele percebe que não haverá como fazer nada no Natal. Preocupado, Juca vai até a casa de seu sogro e conta a situação.
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Seu sogro, um simpático italiano que lhe tem em alta estima, ao ouvir a situação de Juca, demonstra toda a sensibilidade que se possa esperar. Diz a Juca então que até gostaria de lhe ajudar, porém, como sua condição financeira de aposentado não é boa, o máximo que ele pode fazer, é tirar de Juca a responsabilidade sobre a Ceia de Natal. O simpático sogro lhe socorre oferecendo a sua casa para as comemorações, e responsabilizando-se pela ceia.
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Juca saiu mais aliviado, porém, não sabia o que iria falar aos seus filhos, pois por mais educadas que sejam as crianças, elas não são obrigadas a entender as coisas dos adultos. O agravante maior é que dos quatro filhos, os dois menores ainda acreditam em Papai Noel, e a ausência de um pacote sob a árvore de natal, poderia frustrar esses sonhos.
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Após dois dias pensando em uma solução para o problema, Juca lembrou-se de um cliente, Leonardo, dono de uma loja de importados da China, que diante da confiança adquirida, poderia lhe fazer algo como um parcelamento em alguns brinquedos. Ao chegar na loja de Leonardo, percebeu que as comemorações de natal realmente estavam próximas. Um multidão de pessoas travestidas em gafanhotos, se espremia nos corredores entre as prateleiras devorando tudo. Juca foi direto a sala de Leonardo, que ficava no mezanino. Fo conversar com ele sobre a sua dificuldade. Ao chegar lá, viu Leonardo em pé à janela que dava para o galpão olhando o movimento orgulhoso. Ao ver Juca, Leonardo sorriu e veio ao seu encontro lhe abraçando e desejando um feliz natal.
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Juca, com a voz embargada, contou a Leonardo o que se passava, e envergonhado, perguntou sobre a possibilidade de comprar alguns brinquedos, sem entrada e com um bom parcelamento. Leonardo sorriu e prontamente disse que não havia necessidade de estipular tal parcelamento. Mandou Juca direto ao depósito escolher o que bem quisesse, combinando que o pagamento poderia ser feito quando e se Juca pudesse pagar.
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Emocionado Juca correu ao depósito e conseguiu os quatro presentes para as crianças. Finalmente, no dia 22 de dezembro já, ele havia conseguido dormir com a certeza de que não decepcionaria ninguém naquele natal.
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Ao acordar no dia 23 pela manhã, Juca foi avisado pela sua mulher que sua sogra havia ligado e combinado um amigo secreto antes da Ceia de Natal, e que o valor dos presentes ficou combinado entre cinquenta e sessenta reais. Logo depois de dizer isso, e com Juca esfregando os olhos, sua esposa lhe entregou um papelzinho dobrado, dizendo: se você pegar você mesmo, me diga que temos que refazer o sorteio.
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Juca de forma mecânica, foi desdobrando o papel, mesmo antes de dizer que não queria e não podia participar daquela brincadeira, pois na sua carteira, apenas uma nota de dez, uma de cinco, e uma de dois reais. E as dobras foram se desfazendo uma após a outra, e quando o papel se abriu por inteiro, lá estava o nome de sua esposa, encostada na porta, que já foi lhe perguntando se era ele mesmo. Juca chacoalhou a cabeça cansada, e disse que não. A mulher sorriu e foi correndo ao telefone: “Mãe. Deu certo! Não precisamos sortear novamente.”
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Enquanto Juca pensava como iria conseguir os outros reais que faltavam, ouviu a sua esposa confirmando a presença da família também nas comemorações do ano novo, e em meio a essa conversa, deixou escapar o desejo de comprar um vestidinho branco para o reveilon. Juca vestiu o jeans e saiu correndo, dizendo que ia trabalhar, porém, não havia serviço a fazer. Visitou os irmãos e descobriu que eles estavam na mesma situação. Visitou alguns amigos e nada. Juca era a mais fiel representação de um natal difícil para todos.
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Então Juca lembrou-se do amigo que lhe devia. E antes que o tanque de seu gol mil esvaziasse, foi direto para lá fazer a cobrança. Ao chegar na frente da casa do devedor, viu ele descarregando pacotes de presentes e sacolas de mercado. Ao olhar aquilo, um sentimento de traição lhe tomou o coração. Enquanto suas dificuldades se empoleiravam na sua frente, lá estava o devedor comemorando o natal dos sonhos de qualquer brasileiro. Pacotes grandes e coloridos, champanhe no lugar da Cidra, e um pernil de um porco de polaco. Quando perguntou a ele sobre a dívida, ele disse que havia chegado tarde, pois havia gasto seu dinheiro com as festas, porém, depois do ano novo poderia passar por ali para pegar ao menos parte do dinheiro.
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Juca deu as costas ao ex-amigo, e resolveu evitar de dizer-lhe algumas verdades. O nó na garganta era tão grande que nem um adeus foi dito. Entrou no seu carro, e resolveu comprar o presente de sua amiga secreta com os míseros R$ 17 que lhe havia sobrado. Parando perto do Círculo Militar para não ter que pagar o Star, Juca subiu em direção à Rui Barbosa, olhando atento às vitrines. Passou pela frente de lojas de roupas usadas, mas percebeu que seria uma grosseria dar um presente desses a sua mulher. O dia desapareceu nos passos rápidos das pernas de Juca, e ao final da tarde, Juca ainda não tinha um presente para sua esposa. Cada loja em que entrava, parecia o pregão de uma bolsa de valores, e uma multidão trocava “pacotaços”, cotoveladas e empurrões.
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Juca então parou em meio aquela multidão e perguntou-se onde estava o espírito de Natal. Decidiu então voltar para a sua casa, abrir seu coração, e contar para a sua esposa sobre a sua odisséia. Quando se retirava da loja, viu um secador de cabelos sobre o balcão da loja. O vendedor milagrosamente lhe ofereceu aquele secador pelos exatos R$ 17, pois estava riscado no cabo e não tinha caixa. Era uma milagrosa ponta de estoque. O Natal estava salvo. O vendedor saiu para atender outra pessoa, e Juca ficou ali, guardião do presente, aguardando o retorno de seu salvador. Já com um sorriso no rosto de alívio, começou a olhar complacente para as pessoas que não tiveram a mesma sorte que ele. O Natal de Juca estava salvo, enquanto guerreiros espartanos gladiavam pelos pacotes.
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Cerca de quinze minutos depois, o vendedor retorna, e ao perguntar para Juca onde estava o secador, este percebe que realmente o presente havia sumido do balcão. No caixa uma senhora com jeito de italiana empunhava o presente contando algumas notas. Ao tentar falar com a senhora, e tentar justificar que aquele presente era seu, a senhora se agarra ao secador com força e diz que não. A discussão ficou acalorada e a senhora então chama o segurança da loja, reclamando que Juca a estava assediando. O segurança, despachou via sedex Juca para fora da loja. Juca, agora ofendido, saiu marchando em direção a lugar nenhum. Blasfemava, xingava e gritava impropérios a esta multidão de loucos que se matam por um feliz natal.
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Juca andava pela rua com uma cara de Fred Krueger, mas com a sanha de um Jason Voorhees, e se todos desejavam transformá-lo em um boneco das festas de um mundo globalizado, seu olhar de Chuck, alertava que esse boneco poderia se tornar um assassino. Chuck realmente queria brincar com você.
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Mas o cansaço das pernas que correram o dia todo lhe tirou qualquer possibilidade de explosão, e a resignação tomou sua alma. Quando já despertava pena nas pessoas que cortavam seu caminho, como a luz de um anjo de Natal, em uma lojinha de turco daquelas que fica perto da Praça Zacarias, viu um reluzente vestidinho branco, tubinho, daqueles que ficaria lindíssimo em sua mulher, e exatamente como ela queria. Ao se aproximar, viu o preço do vestido numa etiqueta de papel e caneta “silverpen”. R$ 18 a prazo. Seis parcelas de R$ 6.00.
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Lá no fundo da loja, um homem gordo de bigode grosso gritava com as funcionárias e nem precisa de crachá para identificar-se como dono do estabelecimento. Juca foi até ele decidido e perguntou quanto custava o vestido a vista. O homem lhe disse: Eu Bode Fazer guinze.
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Juca sacou de todo o seu dinheiro e ainda sobravam R$ 2 para um coca-cola na confeitaria das famílias. Antes que alguma louca se agarrasse no vestido de sua mulher, Juca o sacou da arara e foi ao caixa. Pagou o vestido, saiu da loja feliz, e saboreou uma coca-cola com gosto de vinho fino na Confeitaria das Famílias.
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Atravessou o centro feliz e leve. Entrou no seu carro e voltou para a casa com um sorriso de campeão no rosto e o espírito de natal renovado. Tudo havia dado certo ao chegar ao final. Seu compadre Sandro sempre lhe havia dito isso.
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O dia vinte e quatro surgiu com o rádio da cozinha tocando músicas de natal muito bem escolhidas pela produção da Rádio Cidade. Crianças se enfileirando para o banho, o cheiro do Tender no forno, que sua sogra havia pedido para sua esposa assar, tomou a casa por volta das duas horas da tarde. O telefone não parava de tocar com familiares e amigos desejando a Juca e a sua família um Feliz Natal. O Natal reapareceu forte no coração de todos no dia 24.
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Juca, a esposa e as crianças embarcam no Gol e foram para a casa dos pais dela. Lá chegando, cunhados e cunhadas se abraçavam e forjavam um bem querer que não se viu durante o ano inteiro. Ao julgar ser a hora certa, a sogra chamou todos para ocuparem os sofás da sala. Dois que faziam parte do jogo de sala, e outros dois emprestados do vizinho que resolveu passar o natal na praia.
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A sogra então anuncia que primeiro seria feita a troca de presentes e depois o amigo secreto. Juca achou aquilo estranho, mas não questionou em virtude de sua felicidade cantar mais alto que o disco dos cantores do Palácio Avenida que rodava no toca-discos Gradiente System 96.
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Poucos pacotes sendo entregues, a sogra foi presenteando os filhos e as filhas, até que lhe restou um último pacote na mão e um olhar de ternura para a esposa de Juca. A sogra veio lentamente e abraçou Juca e depois olhou com uma ternura maternal para a filha dizendo.
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- Minha querida. Você sabe que para mim o maior presente que tive nessa vida, foram os seis filhos que Deus me deu. E você minha caçula, sempre foi aquela que mais esteve perto de mim em todos os momentos alegres e tristes. Quando você casou com Juca, eu não gostava dele, mas hoje o tenho como filho também, e o recebo em minha casa com muito amor. Portanto minha filha, eu consegui comprar um presente que simboliza meu sentimento por este casal maravilhoso. Eu estava andando perto da praça Zacarias e comprei esse vestidinho tubinho branco como você queria.
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A filha faz uma cara de feliz e ao abrir o pacote, ela permite a Juca ver um vestido exatamente igual a aquele que ele havia comprado para ela. Juca fica desconcertado, mas mantém a postura, afinal o Ano Novo se comemora na noite de 31 e no primeiro dia do ano. Não há problemas. Ela poderá passar as festas de branco.
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E após secar algumas lágrimas, a esposa de Juca abraçou fortemente a sua mãe, e com os olhos ainda úmidos, disse-lhe a clássica frase de Natal: Não precisava mamãe. Não precisava se incomodar.
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Juca ali ao lado, ouvia tudo.
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Ao desmanchar o abraço, a sogra de Juca olha para a filha e diz:
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- Não foi incomodo não minha filha. Eu paguei só R$ 11 na loja daquele turco gordo e bigodudo que não sabe falar direito. Quando eu estava saindo da loja ainda disse a ele que achei barato, e ele subiu o preço para R$ 18. Pode? (a sogra riu nesse momento)
- Mas agora minha filha vamos ao Amigo Secreto, porque esse sim é bom. Os presentes tem que ser entre cinquenta e sessenta reais. Agora vai começar o bom da festa. Quem começa é você Juca. Quem é seu amigo secreto?