O cidadão entra no consultório da Urologista com um ar de desconforto, e após balbuciar algumas palavras inaudíveis, finalmente falou:
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A senhora jura que não vai rir?! - perguntou o paciente.
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- Claro que não rirei! - respondeu exaltada a médica, e ainda acrescentou: - Sou uma profissional da saúde. Existe um código de ética em questão! Em mais de 20 anos de
profissão nunca ri de nenhum paciente!
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Tudo bem, então, disse o paciente. E deixou cair as calças, revelando o menor órgão sexual masculino que ela havia visto na vida. Considerados o comprimento e o diâmetro, não seria maior do que uma bateria AAA.
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Incapaz de manter o controle, a médica começou a dar risadinhas. Elas foram crescendo, e a médica percebeu que ou soltava a gargalhada, ou iria molhar as calças. Então a mais sonora gargalhada explodiu dentro do consultório. Ela perdeu o fôlego, bateu nas coxas com as mãos abertas e teve que curvar a coluna para não cair. Quando já estava sentada no chão não conseguia mais segurar o ataque de riso.
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Poucos minutos depois ela conseguiu recuperar a compostura, e logo foi dizendo:
- Sinto muitíssimo, disse ela. Não sei o que aconteceu comigo. Dou minha palavra de honra de médica e de dama que isso nunca mais acontecerá. Agora diga-me, qual é o problema?
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Está inchado! - respondeu o cara.
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Dizem que a médica chegou a desmaiar, após perder o fôlego de tanto rir.
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Também informaram que ela sofreu uma representação no Conselho Regional de Medicina, porém, foi absolvida por uma excelente defesa de seu advogado. Quando o conselho já estava pronto para excluir a médica, no meio do julgamento o advogado pediu para o homem que a representou baixar as calças e mostrar a razão o "objeto" da representação. Ao abaixar as calças, a absolvição era inevitável.
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Também foi comentado muito tempo depois que o julgamento foi suspenso por 4 horas, e após a recuperação dos conselheiros, eles simplesmente arquivaram a representação.
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
PARABÉNS CURITIBA, DO TRÂNSITO ATÉ AS VILAS
Ah Curitiba! Esta minha cidade, minha maternidade e companheira das crônicas que vivi em minha vida, desde aquelas mais cotidianas até as mais inacreditáveis. E Curitiba não escapa de críticas justas e injustas, pois feita de homens e mulheres pintados em desvirtudes, ela é o coletivo do ser humano.
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Não foram poucas as homenagens feitas à Curitiba pela passagem de seus trezentos e dezesseis anos. Homenagens em textos, imagens e sons que refletem um pouco dessa metrópole meio provinciana, desse paradoxo de concreto e vida.
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Na imperfeição de seu trânsito, descobri que não é verdade que o trânsito de Curitiba seja ruim. Percebendo com um pouco mais de complacência e atenção esse trânsito, o que se perceber é que a má ideia foi a campanha publicitária de alguma marca de cereais, do tipo: “Compre Sucrilhos Barbante e ganhe uma carteira de motorista.” O que falta então é uma legislação própria de trânsito, onde poderíamos organizar da seguinte forma: Nas vias rápidas, quem comprou carteira em Santa Catarina anda pela pista da Esquerda, quem ganhou a carteira de motorista na caixa de cereais pela direita, e pela pista do meio, o pessoal que realmente fez teste no Detran.
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Mas em uma abordagem mais séria sobre o tema, é interessante ver o curitibano reclamar do trânsito desta cidade, quando na verdade, existem famílias com mais de um carro por pessoa. Exatamente isso, essa mania de curitibano ter carro até para o cachorro, é que dificulta o trânsito. Quem sabe isso tem relação com o modo fechado do curitibano. Para não ter que falar com o seu filho ou com sua esposa, o curitibano prefere dar um carro para cada um e pronto.
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Mas esse jeito fechado do curitibano também não é sem razão. O que acontece na realidade, é que o curitibano realmente leva a sério demais as lições de sua infância. Quando a titia falava (sem olhar nos nossos olhos) “não fale com estranhos”, o curitibano levava isso para o resto da vida. E cá entre nós, hoje em dia temos filhos estranhos, mulheres estranhas, as mulheres por sua vez tem maridos estranhos. Então não falemos com estranhos e pronto.
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Mas em falar em gente estranha, dessa festa esquisita, ninguém é mais estrando que o curitibano mesmo. Até hoje eu tento entender as bermudas longas dos “vileiros”, os rituais de acasalamento nas boates da classe média, os pratos irrisórios que são vendidos por valores exorbitantes nos restaurantes da alta sociedade. Ou mesmo o público que não sabe bem ao certo em que momento bater palmas nos espetáculos públicos. Esse Curitibano tão europeu que muitas vezes coloca para fora sua pouca autoestima de terceiro mundo.
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Curitiba quem sabe seja esse estranho ponto do universo onde diferenças convivam harmonicamente. A Ferrari encostada no posto de gasolina ao lado do Corcel caindo aos pedaços ( Eles vivem harmonicamente porque não se falam. Lógico!) O mármore do fórum ao lado da poeira do estacionamento. O parque Barigui, de linhagem europeia, sendo cortado pelo rio de mesmo nome, onde cada peixe é um sobrevivente do reator de uma usina nuclear. E para sacramentar as diferenças, ainda surge um jacaré comedor de cachorrinhos provocativos.
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Curitiba é mesmo assim. Tão criticada pelos curitibanos, que ironicamente, são exatamente aqueles que temperam a cidade com suas imperfeições e problemas. Mas embora Curitiba seja esse alvo da piada Tingui, Curitiba merece, ao menos de minha parte, uma combativa defesa.
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Foi aqui, onde já não se tem mais tanto pinhão, que tive a oportunidade de aprender a tocar cavaquinho, do rodapé de meus quatorze anos, com o mestre e gênio Janguito do Rosário. Foi aqui, na piscina do Clube 3 Marias, que tive a oportunidade de pegar uma piscina nos finais de semana com o gênio fantástico de Paulo Leminski. E porque não dizer que esta cidade é que me deu a possibilidade de conviver com a fotógrada Juliana Ribas, que me oferece as imagens para este texto.
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Em Curitiba tive a oportunidade de dividir o palco do Bar Sarinha com Ivo Rodrigues, aquele gênio de voz inigualável da Banda Blindagem. No palco do Guairinha tive a honra de ajudar na produção da peça de Dig Dutra, que retornava do Rio para o Festival de Teatro. Em Curitiba tive a oportunidade de conhecer redutos de boemia que até hoje dançam em minha memória. Nos teatros de Curitiba é que tive a oportunidade de expor Curitiba e rir muito com os curitibanos, ao flutuar as asas dos Anjos Boêmios.
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E embora eu me permita criticar essa cidade e as pessoas que a dividem comigo, devo tudo isso a Curitiba. Devo a Curitiba a oportunidade de ser exatamente o que sou hoje. Um Curitibano antipático as vezes, e outras vezes o morador do bigorrilho sorridente. O advogado que frequenta o fórum de terno e gravata, e o jardineiro da própria casa que desfila de bermudas furadas no jardim de sábado. Em Curitiba posso ser apenas o autor desse texto, um rosto distante e virtual, ou mesmo aquele que fica preso no engarrafamento, desapercebido e incógnito, um anônimo que pensa em como homenagear essa cidade.
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Seja como for, minha forma de homenagear é agradecer. Apenas agradecer por tudo o que Curitiba me permitiu ser: “Um Curitibano”.
sexta-feira, 27 de março de 2009
PUDIM, O RIN TIN TIN TUPINIQUIM ... E BOM DIA PRA MIM.

Com certeza você já acordou com uma ligação de alguma operadora de celular oferecendo um plano de merda. E não tenho a menor dúvida, que você já teve um suave despertar, com a campainha de sua casa sendo insistentemente tocada por um pedinte. Também não é de se duvidar que você já tenha recebido um bom dia da vida com uma má notícia, daquela tia gorda que fala assim: Advinha quem morreu!
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Essa história de ser despertado pelo inusitado, e de olhar para uma cama carente dizendo até logo para você, não é novidade nem para mim e nem para você. Somos cercados por uma trupe de espiões sacanas, que esperam a gente ter a oportunidade de dormir até mais tarde para criar um evento e interromper nosso sono.
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Mas sinceramente, hoje foi inacreditável. Para não citar o nome do amigo, vou chamá-lo apenas de “Pudim”, numa honrosa menção ao ilustre personagem que tem roubado a cena na peça de Analice em Busca do Homem Perfeito.
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Hoje, 27 de março de 2009, quando o relógio marcava 6:30 da manhã, justamente neste dia que eu havia escolhido para dormir até as nove, a campainha começou a tocar insistentemente, irritantemente, incansavelmente, incessantemente, ininterruptamente, impertinentemente, inoportunamente, in ... Ok. Eu sei que você cansou, e já ficou irritado com tanta insistência, porém, ao menos fui feliz em descrever o quanto essa campainha foi tocada.
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Ao afastar a cortina da sala, dou de cara com Pudim (e não adianta insistir para saber o nome do bebum), cantando para toda a vizinhança a trilha bandida do filme Tropa de Elite. Ao seu lado, um cachorro companheiro, que na realidade, tem a obrigação de mostrar para o bêbado onde ele mora.
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Preocupado com a situação, saí com os olhos remelentos e com o cabelo em pé, do tipo estou dormindo, e perguntei o que estava acontecendo. Pudim então me pede um cigarro, e volta a cantar a sua trilha sonora. Cigarro na boca, e um pé engatilhado para lhe acertar a bunda, cinco minutos depois, e cerca de dez recusas ao convite de tomar uma cerveja como café da manhã (francamente, eu gosto de cerveja, mas gosto mais de mim, mas para ele seria uma espécie de copo de leite de boa noite), Pudim sai cambaleante pela rua, conduzido pelo seu racional cachorro Negão.
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Entro e olho para a cama que abandonei, já imaginando como faria para voltar a sonhar com a deusa que eu estava quase pegando, mas quando dobro os joelhos para alcançar o justo descanso, ouço assovios e alguns gritos pela janela. Ao atinar do que se tratava, percebo que Pudim resolveu pular o muro do vizinho para me fazer uma serenata vespertina, e a letra da música era: Vamos tomar uma cerveja? Não aguenta? Vez por outra ele ainda me chamava pelo aumentativo do extremo inferior do aparelho digestivo que é controlado por um esfincter.
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Nos braços do sono que eu sonhava em ter, não percebi de pronto, mas logo lembrei que meu vizinho tem um daqueles cães bombados, com corpo de búfalo e cabeça de sogra, orelhas cortadas e rabo pitoco, dentes de onça e paciência de professor ginasial. Ao me tocar disso, fui correndo para o muro, e vejo Pudim de quatro rosnando para o animal. Inacreditável, mas o animal mais perigoso da região (depois daquela vizinha de língua solta), não havia atacado o bêbado.
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O coração não boca já avisa que estou prestes a ver Pudim virar ração de cachorro, do tipo carne moída com pedacinhos de álcool. Eu então me vejo com as pernas moles, e já começando a querer pular o muro para salvar o Pudim. Como eu estava com sono, e não sem bom senso, gritei para Pudim que fosse saindo lentamente, sem dar as costas para o cão. Eu já imaginava como é que aquele pudim de cachaça iria pular o muro sem dar as costas para o cão. Não havia o que fazer. Eu estou prestes a presenciar um banquete canino com um amigo de muito tempo servido na bandeja. Os minutos foram passando, e o Pit Bull ali, armado, pronto para atacar Pudim.
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Quando eu já pensava em telefonar para o vizinho, e pedir para ele prender o cão, perguntei-me silenciosamente o que eu diria sobre a criatura que estava lá meio em pé, meio cambaleante, no meio do seu jardim.
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Neste momento, lembrando uma mistura do seriado da Lassie com o Rin Tin Tin, o cão Negão pula por sobre o muro e parte contra o Pit Bull, começando o que seria a luta mais injusta de todos os tempos. O meu coração que já estava acelerado inscreve-se para compor a banda do Olodum, e visto metade do tênis para sair correndo pela rua, tentando salvar o Negão, Pudim, e minha moral que já estava comprometida pelo show matutino do meu amigo.
.
Neste momento, ao chegar ao portão do vizinho, o vejo saindo de casa com uma machado na mão erguido sobre a cabeça. Percebendo que ele estava pronto para rachar a mamona de Pudim, eu gritei que ele era meu amigo e que estava tudo bem. Nesta hora o vizinho me olha com a única cara que podia. Sobre sua cabeça um balão invisível me fez poder ver o que ele pensava, mas não posso escrever aqui.
.
O vizinho irritado separa a briga dos cães, e Pudim sai com o Negão ferido carregando-o nos braços. Quando olho para Pudim ele me convida para tomar uma cerveja e comemorar a vitória de Negão na briga com o Pit Bull. Olhei para Negão e não o vi com nenhuma intenção de comemorar, até porque não havia vitória nenhuma.
.
Então resolvi bancar o bom Samaritano. Recolhi Pudim no meu carro, com Negão ao colo, e levei ambos até a casa onde moram. Depois de perguntar ao Negão uma ou duas vezes sobre o endereço, pois Pudim só sabia falar em cerveja, cheguei a frente do referido habitáculo. Quando o tiro de dentro do automóvel, com o pedaço de cão na mão, a cunhada do cidadão me olha e diz.
.
Você hein Samuel ... Bebendo até essa hora? E o pior é que leva “Pudim” para o mal caminho.
.
Ao retornar para a casa, meu vizinho da frente pergunta se aquilo era hora de chegar em casa. A vizinhança toda acordada com a canção de Pudim e meus berros para interromper a luta dos cães, olha para mim com ar de reprovação, pois todos sabem que tenho um bar, e de pronto, associaram o ocorrido à minha história. Justamente no dia em que eu havia ido dormir cedo como um bom rapaz.
.
Por isso gostaria de agradecer publicamente ao Pudim, por me dar a oportunidade de escrever este texto. A merda é que sei que meus vizinhos não vão ler.
.
Desejo melhoras ao Negão, para que da próxima vez, morda forte mesmo o seu dono, para que ele não venha tocar a porra da minha campainha as 6:30 da manhã para pedir cigarro e tomar cerveja. Francamente. E digo mais Pudim. Se o Pit Bull me pedir seu telefone, e falo o número e o endereço. E espero que você vire bonzo da próxima vez.
.
Agora que não consigo mais dormir, Bom Dia pra você também!
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Essa história de ser despertado pelo inusitado, e de olhar para uma cama carente dizendo até logo para você, não é novidade nem para mim e nem para você. Somos cercados por uma trupe de espiões sacanas, que esperam a gente ter a oportunidade de dormir até mais tarde para criar um evento e interromper nosso sono.
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Mas sinceramente, hoje foi inacreditável. Para não citar o nome do amigo, vou chamá-lo apenas de “Pudim”, numa honrosa menção ao ilustre personagem que tem roubado a cena na peça de Analice em Busca do Homem Perfeito.
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Hoje, 27 de março de 2009, quando o relógio marcava 6:30 da manhã, justamente neste dia que eu havia escolhido para dormir até as nove, a campainha começou a tocar insistentemente, irritantemente, incansavelmente, incessantemente, ininterruptamente, impertinentemente, inoportunamente, in ... Ok. Eu sei que você cansou, e já ficou irritado com tanta insistência, porém, ao menos fui feliz em descrever o quanto essa campainha foi tocada.
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Ao afastar a cortina da sala, dou de cara com Pudim (e não adianta insistir para saber o nome do bebum), cantando para toda a vizinhança a trilha bandida do filme Tropa de Elite. Ao seu lado, um cachorro companheiro, que na realidade, tem a obrigação de mostrar para o bêbado onde ele mora.
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Preocupado com a situação, saí com os olhos remelentos e com o cabelo em pé, do tipo estou dormindo, e perguntei o que estava acontecendo. Pudim então me pede um cigarro, e volta a cantar a sua trilha sonora. Cigarro na boca, e um pé engatilhado para lhe acertar a bunda, cinco minutos depois, e cerca de dez recusas ao convite de tomar uma cerveja como café da manhã (francamente, eu gosto de cerveja, mas gosto mais de mim, mas para ele seria uma espécie de copo de leite de boa noite), Pudim sai cambaleante pela rua, conduzido pelo seu racional cachorro Negão.
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Entro e olho para a cama que abandonei, já imaginando como faria para voltar a sonhar com a deusa que eu estava quase pegando, mas quando dobro os joelhos para alcançar o justo descanso, ouço assovios e alguns gritos pela janela. Ao atinar do que se tratava, percebo que Pudim resolveu pular o muro do vizinho para me fazer uma serenata vespertina, e a letra da música era: Vamos tomar uma cerveja? Não aguenta? Vez por outra ele ainda me chamava pelo aumentativo do extremo inferior do aparelho digestivo que é controlado por um esfincter.
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Nos braços do sono que eu sonhava em ter, não percebi de pronto, mas logo lembrei que meu vizinho tem um daqueles cães bombados, com corpo de búfalo e cabeça de sogra, orelhas cortadas e rabo pitoco, dentes de onça e paciência de professor ginasial. Ao me tocar disso, fui correndo para o muro, e vejo Pudim de quatro rosnando para o animal. Inacreditável, mas o animal mais perigoso da região (depois daquela vizinha de língua solta), não havia atacado o bêbado.
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O coração não boca já avisa que estou prestes a ver Pudim virar ração de cachorro, do tipo carne moída com pedacinhos de álcool. Eu então me vejo com as pernas moles, e já começando a querer pular o muro para salvar o Pudim. Como eu estava com sono, e não sem bom senso, gritei para Pudim que fosse saindo lentamente, sem dar as costas para o cão. Eu já imaginava como é que aquele pudim de cachaça iria pular o muro sem dar as costas para o cão. Não havia o que fazer. Eu estou prestes a presenciar um banquete canino com um amigo de muito tempo servido na bandeja. Os minutos foram passando, e o Pit Bull ali, armado, pronto para atacar Pudim.
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Quando eu já pensava em telefonar para o vizinho, e pedir para ele prender o cão, perguntei-me silenciosamente o que eu diria sobre a criatura que estava lá meio em pé, meio cambaleante, no meio do seu jardim.
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Neste momento, lembrando uma mistura do seriado da Lassie com o Rin Tin Tin, o cão Negão pula por sobre o muro e parte contra o Pit Bull, começando o que seria a luta mais injusta de todos os tempos. O meu coração que já estava acelerado inscreve-se para compor a banda do Olodum, e visto metade do tênis para sair correndo pela rua, tentando salvar o Negão, Pudim, e minha moral que já estava comprometida pelo show matutino do meu amigo.
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Neste momento, ao chegar ao portão do vizinho, o vejo saindo de casa com uma machado na mão erguido sobre a cabeça. Percebendo que ele estava pronto para rachar a mamona de Pudim, eu gritei que ele era meu amigo e que estava tudo bem. Nesta hora o vizinho me olha com a única cara que podia. Sobre sua cabeça um balão invisível me fez poder ver o que ele pensava, mas não posso escrever aqui.
.
O vizinho irritado separa a briga dos cães, e Pudim sai com o Negão ferido carregando-o nos braços. Quando olho para Pudim ele me convida para tomar uma cerveja e comemorar a vitória de Negão na briga com o Pit Bull. Olhei para Negão e não o vi com nenhuma intenção de comemorar, até porque não havia vitória nenhuma.
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Então resolvi bancar o bom Samaritano. Recolhi Pudim no meu carro, com Negão ao colo, e levei ambos até a casa onde moram. Depois de perguntar ao Negão uma ou duas vezes sobre o endereço, pois Pudim só sabia falar em cerveja, cheguei a frente do referido habitáculo. Quando o tiro de dentro do automóvel, com o pedaço de cão na mão, a cunhada do cidadão me olha e diz.
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Você hein Samuel ... Bebendo até essa hora? E o pior é que leva “Pudim” para o mal caminho.
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Ao retornar para a casa, meu vizinho da frente pergunta se aquilo era hora de chegar em casa. A vizinhança toda acordada com a canção de Pudim e meus berros para interromper a luta dos cães, olha para mim com ar de reprovação, pois todos sabem que tenho um bar, e de pronto, associaram o ocorrido à minha história. Justamente no dia em que eu havia ido dormir cedo como um bom rapaz.
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Por isso gostaria de agradecer publicamente ao Pudim, por me dar a oportunidade de escrever este texto. A merda é que sei que meus vizinhos não vão ler.
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Desejo melhoras ao Negão, para que da próxima vez, morda forte mesmo o seu dono, para que ele não venha tocar a porra da minha campainha as 6:30 da manhã para pedir cigarro e tomar cerveja. Francamente. E digo mais Pudim. Se o Pit Bull me pedir seu telefone, e falo o número e o endereço. E espero que você vire bonzo da próxima vez.
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Agora que não consigo mais dormir, Bom Dia pra você também!
quinta-feira, 19 de março de 2009
JUCA, AS PASSAGENS E O TROCO
Dia cinza, sem sabor, e de sapatos velhos com a barra desfeita da calça jeans arrastando no chão, Juca desfila rápido seu pânico pelo centro da cidade, na inútil tentativa de resolver os problemas típicos de um brasileiro, acumulados pela existência de pouco glamour e quase nenhuma dignidade. Contas, empréstimos em banco, e lá se vai Juca recebendo uma porção de sim e outra não.
.
Ao pedir o empréstimo no Banestado, ouviu um sim: Sim, o senhor está com restrições cadastrais, e não podemos lhe conceder o empréstimo solicitado. Na imobiliária ouviu outro outro sim: Sim, você deverá desocupar o imóvel em dez dias, pois o proprietário pediu o imóvel. Mas para provar que a vida não é só feita de “sim”, ouviu não também: não tenho dinheiro para te emprestar, não posso te ajudar, e por último, não quero mais ficar contigo.
.
Assim, após ouvir de sua namorada, quase noiva, que não gostaria de levar a vida do lado de alguém que não tinha estabilidade financeira e nenhuma perspectiva, Juca resolveu esticar as pernas em seu apartamento, e desistir daquele dia. De nada adianta nadar contra a correnteza, principalmente quando a correnteza está prestes a desembocar em uma cascata enorme. Ao fechar os olhos Juca até podia ver e sentir aquelas pedras pontudas no fundo da cachoeira imaginária.
.
Triste, de cabeça baixa como jamais havia olhado para o chão, Juca desceu do elevador, dessa vez sem agradecer à ascensorista, e como se estivesse nu, foi para seu quase antigo apartamento (por uma questão de dez ou onze dias) carregando a vergonha do mundo, como se fosse filho de algum ditador campeão de bilheteria em algum crime contra a humanidade. Ao andar lento e pesado de vexames pelo corredor, sem erguer os olhos, foi com passos programados até a porta de seu cafofo, e para seu desespero, ali no chão, um monte de correspondências com envelopes conhecidos. Avisos de cartório, cartas de cobrança, comunicados de atraso e um envelope do tipo carnê.
.
Juca percebeu que estava na beira da cascata, ouvindo o turbilhão voraz, e que o tombo seria bem dolorido desta vez, mas com a alma honesta, e cheio de vontade de pagar, bem mais que aqueles que deviam para ele, Juca abaixou-se com dignidade e como guerreiro Mongol , ferido ergueu os envelopes. Com a coragem de quem olha nos olhos de seu algoz , passou os envelopes um a um, e por não conhecer aqueles carnês, deixou-os por último, pois conta nova não pode ter prioridade sobre conta antiga.
.
Após olhar todos os envelopes, recebendo-os como tapas na sua vergonha, viu que os carnês não eram contas. Foleando-os pode ver uma porção de destinos, Inglaterra, França, Itália, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, e um inacreditável destino final para o Tahiti na paradisíaca Polinésia Francesa. Quando Juca olhou o timbre da VASP, percebeu que eram duas passagens para uma maravilhosa volta ao mundo, um sonho de infância frustrado pela péssima situação financeira de Juca.
.
Ao pedir o empréstimo no Banestado, ouviu um sim: Sim, o senhor está com restrições cadastrais, e não podemos lhe conceder o empréstimo solicitado. Na imobiliária ouviu outro outro sim: Sim, você deverá desocupar o imóvel em dez dias, pois o proprietário pediu o imóvel. Mas para provar que a vida não é só feita de “sim”, ouviu não também: não tenho dinheiro para te emprestar, não posso te ajudar, e por último, não quero mais ficar contigo.
.
Assim, após ouvir de sua namorada, quase noiva, que não gostaria de levar a vida do lado de alguém que não tinha estabilidade financeira e nenhuma perspectiva, Juca resolveu esticar as pernas em seu apartamento, e desistir daquele dia. De nada adianta nadar contra a correnteza, principalmente quando a correnteza está prestes a desembocar em uma cascata enorme. Ao fechar os olhos Juca até podia ver e sentir aquelas pedras pontudas no fundo da cachoeira imaginária.
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Triste, de cabeça baixa como jamais havia olhado para o chão, Juca desceu do elevador, dessa vez sem agradecer à ascensorista, e como se estivesse nu, foi para seu quase antigo apartamento (por uma questão de dez ou onze dias) carregando a vergonha do mundo, como se fosse filho de algum ditador campeão de bilheteria em algum crime contra a humanidade. Ao andar lento e pesado de vexames pelo corredor, sem erguer os olhos, foi com passos programados até a porta de seu cafofo, e para seu desespero, ali no chão, um monte de correspondências com envelopes conhecidos. Avisos de cartório, cartas de cobrança, comunicados de atraso e um envelope do tipo carnê.
.
Juca percebeu que estava na beira da cascata, ouvindo o turbilhão voraz, e que o tombo seria bem dolorido desta vez, mas com a alma honesta, e cheio de vontade de pagar, bem mais que aqueles que deviam para ele, Juca abaixou-se com dignidade e como guerreiro Mongol , ferido ergueu os envelopes. Com a coragem de quem olha nos olhos de seu algoz , passou os envelopes um a um, e por não conhecer aqueles carnês, deixou-os por último, pois conta nova não pode ter prioridade sobre conta antiga.
.
Após olhar todos os envelopes, recebendo-os como tapas na sua vergonha, viu que os carnês não eram contas. Foleando-os pode ver uma porção de destinos, Inglaterra, França, Itália, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, e um inacreditável destino final para o Tahiti na paradisíaca Polinésia Francesa. Quando Juca olhou o timbre da VASP, percebeu que eram duas passagens para uma maravilhosa volta ao mundo, um sonho de infância frustrado pela péssima situação financeira de Juca.
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Então Juca lembrou que Ediwancley, um amigo seu, frequentador antigo do Bar do Boto, havia lhe dito que havia indicado Juca para um concurso de passagens. Como Ediwancley tinha uma porção de milhas acumuladas, resolveu indicar Juca para o concurso. Bendito Ediwancley, que até então não passava de um chato de bar.
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Junto com as passagens, uma carta de uma agência de turismo solicitando a presença do beneficiário para confirmar as passagens e as datas de embarque. O contratempo é que Juca deveria estar presente naquela data, as 19:00 horas sob pena de perder o direito ao embarque dos sonhos.
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Juca deu pulos no sofá e dançou com um vaso de flor. Fez batucada com a garrafa térmica e beijou a foto de Ivete Sangalo convidando-a para uma viagem em torno do mundo. Como não podia controlar seus impulsos, ligou para a ex-namorada e disse que não queria mais também, pois iria fazer uma viagem pelo mundo. Ligou para o chefe e mandou-o relaxar o esfincter.
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Do homem que chegou vendo a beira da cascata, a um sonho voador em poucos minutos, Juca desceu correndo as escadas do prédio, dançando com os degraus e cantando para os cantos dos patamares. Seu celular virou uma espécie de microfone do sucesso, e ele se sentia uma mistura de Fábio Junior com Antônio Banderas. E como o celular lhe provocava, resolveu ligar para o gerente do banco e perguntou se queria fazer uma viagem. Quando o gerente disse que sim, riu alto pelas escadarias, e disse: Sim, você tem restrição cadastral no meu conceito.
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Ainda rindo por ter ido à forra, ligou para a imobiliária e disse que poderia entregar o apartamento no dia seguinte, porém, mediante um acordo. A imobiliária perguntou qual. E ele respondeu que entregaria o imóvel mobiliado inclusive, mas sob a condição do proprietário enfiá-lo reto a dentro. E enquanto a moça da imobiliária esbravejava, novamente Juca riu alto.
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Chegou à agência de turismo bonito, cheiroso e sorridente, e ainda na exata hora marcada. Sentou-se à frente da gerente, e identificou-se como Senhor Juca, aquele das passagens. Na realidade ele após uma vida carregada, estava realmente sentido-se o tal do Senhor Juca, quem sabe a primeira vez em toda a sua vida.
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A gerente o recebeu de forma atenciosa. Pediu seus documentos para o preenchimento das passagens, e enquanto isso falava ao telefone, informando da celebridade que estava presente ali. Após quinze minutos de espera, a secretária lhe oferece um café. Ao erguer os olhos acima do generoso decote, Juca encontra uma belíssima morena de olhos verdes, cabelos pouco abaixo do ombro, e um sorriso mágico.
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Ao lembrar de sua condição de sol-tei-ro, Juca não exitou, e convidou-a para lhe acompanhar na agradável viagem. A secretária sorriu, o que parecia ser um aceno com a possibilidade de um gostoso sim. Juca, o solteiro das passagens, viajaria acompanhado de uma bela morena de olhos verdes. Ela combinaria com o resto da decoração natural do Tahiti.
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E na agência todos pareciam estar comemorando a glória de Juca, tão merecedor, e tão humilde, que tinha o direito e a legitimidade para ganhar o prêmio. Uma vida dolorida, de requebrar as juntas e os molejos, capaz de desconjuntar a mais sólida espinha, fazia de Juca o exato vencedor, aquele que não só ganha, mas aquele que também sempre mereceu ganhar.
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Enquanto isso, a sorridente gerente ia e voltava, sempre deixando Juca hipnotizado pela secretária escultural. Quando voltava, telefonava para empresas, hotéis e a direção do grupo, inclusive da VASP. Juca percebeu que o que estava ouvindo antes, e que pensava ser o turbilhão da cachoeira, na realidade era o agradável som da turbina de uma avião que o levaria para ouvir os sussurros do mar dos sonhos.
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Passada mais de uma hora ali, após uma estranha ausência de dez minutos, a gerente volta, e meio gaguejando informa que estava encontrando alguns problemas. Juca foi respondendo a ela as perguntas que surgiam, e depois de cerca de meia hora de absoluta enrolação, o telefone toca. A gerente diz sim senhor, não senhor, entendi e eu providenciarei.
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Olhando para Juca a gerente diz: Lamento Senhor Juca, mas houve um mal entendido e o Senhor não é o beneficiário dessa promoção.
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Juca então se revolta e pergunta como não. Recobrando a compostura de alguém que faria uma viagem que só magnatas fazem, acalmou-se e disse que tudo seria resolvido ali, pois ele era o ganhador sim, relatando como encontrou as passagens em seu apartamento.
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Ela pergunta novamente:
O senhor mora no centro?
Ele responde que sim.
Na Rua Fabiano Bonaroski?
Ele responde positivamente.
No Edifício Marco Puppo?
Ele acena com a cabeça.
No décimo quarto andar?
Sim novamente.
No apartamento 1401?
Juca, sentindo um abacaxi verde voltando de ré pela sua garganta, responde que não. Na realidade ele mora no 1402.
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Ela então responde que lamenta, mas houve um pequeno equivoco na entrega das passagens.
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Juca é tomado de um ódio que explode em palavrões. Depois de cinquenta sonoros “Puta que Paris”, cerca de duas dúzias de denominações variadas para o órgão genital masculino, uma dúzia de femininos, seis lazarentos e três desgraçados, ele se vê segurando o colarinho branco da gerente.
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Seguranças começam a despencar das paredes, e aparece uma câmera focando na cara de Juca. Quando Juca está prestes a finalizar a gerente, percebe-se que ela está rindo e chamando uma tal de “Produção”.
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Quando Juca engole um pouco de oxigênio, percebe uma multidão rindo, enquanto a gerente tira a peruca loira identificando-se como a apresentadora Sílvia Silva Santos, do Programa “Chegou a Sua Hora” da rede Tupiniquim de Televisão Digital.
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Os amigos de Juca começam a aparecer saindo de trás dos biombos, e não demora muito para a gerente falar como se estivesse declamando em um comercial de creme dental:
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- Parabéns senhor Juca! O Senhor participou da pegadinha de Primeiro de Abril, do programa “Chegou a Sua Hora”, no quadro “Eu Armei Para o Meu Melhor Amigo”.
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Dentre os amigos, Ediwancley se aproxima com os olhos molhados de tanto rir, e ainda sem fôlego, ri e curva-se apertando a barriga, contorcendo-se em descontrole, tudo isso sem tirar a mão do ombro de Juca. A apresentadora do programa então informa Juca de que Ediwancley foi o amigo cúmplice da brincadeira, ao que, todos respondem com uma calorosa salva de palmas, acompanhada de um coro tímido de Edi, Edi, Edi. Parece que Ediwancley havia feito alguns amigos durante a preparação do trote.
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Enquanto olhava a situação, o eco dos palavrões ditos por Juca momentos antes, lhe impede de falar qualquer coisa para seu amigão. E ele tenta decidir se dará o grande soco com a mão direita ou a esquerda, no nariz, no queixo ou no olho. Também resta a ele uma dúvida, sobre o que deveria fazer com a tal da Sílvia Silva Santos, tendo até a vontade de enfiar-lhe a mão dentro das calças e saber se ela também usava peruca nas partes pudendas.
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E no meio daquela balbúrdia, Juca viu-se com um avental xadrez e com uma lancheira do Cascão, mijando-se nas calças. A lembrança da maior vergonha de sua vida, com a trilha sonora dos cruéis amiguinhos rindo, havia lhe surgido real em sua memória. Tentando pensar em alguma coisa boa, Juca lembrou-se apenas de suas três reprovações no vestibular, e do dia que um indecente bateu o carro na traseira de seu fusca. Juca ainda tentava buscar uma memória boa, mas é interrompido pelo celular, que ao ser atendido, trás a Juca a voz gritada de seu ex-chefe: Você está demitido! Também não demora para o telefone tocar novamente, e dessa vez era a ex-namorada de Juca. Ele não a atendeu. Mas logo depois o identificador da chamada escrevia na tela do seu celular: Imobiliária.
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Juca então percebeu que o programa era transmitido ao vivo. Seu sangue esfriou e ele percebeu que estava sendo assistido pelo Brasil inteiro em uma espécie de concurso “O Otário do Ano”.
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Juca engoliu a raiva, e com a frieza do Bandido da Luz Vermelha, com a simpatia de Hugo Cháves, e ainda a agilidade mental de Rafinha Bastos, perguntou então se poderia falar alguma coisa no programa. A sorridente Sílvia Silva disse que claro que sim.
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Juca deu pulos no sofá e dançou com um vaso de flor. Fez batucada com a garrafa térmica e beijou a foto de Ivete Sangalo convidando-a para uma viagem em torno do mundo. Como não podia controlar seus impulsos, ligou para a ex-namorada e disse que não queria mais também, pois iria fazer uma viagem pelo mundo. Ligou para o chefe e mandou-o relaxar o esfincter.
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Do homem que chegou vendo a beira da cascata, a um sonho voador em poucos minutos, Juca desceu correndo as escadas do prédio, dançando com os degraus e cantando para os cantos dos patamares. Seu celular virou uma espécie de microfone do sucesso, e ele se sentia uma mistura de Fábio Junior com Antônio Banderas. E como o celular lhe provocava, resolveu ligar para o gerente do banco e perguntou se queria fazer uma viagem. Quando o gerente disse que sim, riu alto pelas escadarias, e disse: Sim, você tem restrição cadastral no meu conceito.
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Ainda rindo por ter ido à forra, ligou para a imobiliária e disse que poderia entregar o apartamento no dia seguinte, porém, mediante um acordo. A imobiliária perguntou qual. E ele respondeu que entregaria o imóvel mobiliado inclusive, mas sob a condição do proprietário enfiá-lo reto a dentro. E enquanto a moça da imobiliária esbravejava, novamente Juca riu alto.
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Chegou à agência de turismo bonito, cheiroso e sorridente, e ainda na exata hora marcada. Sentou-se à frente da gerente, e identificou-se como Senhor Juca, aquele das passagens. Na realidade ele após uma vida carregada, estava realmente sentido-se o tal do Senhor Juca, quem sabe a primeira vez em toda a sua vida.
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A gerente o recebeu de forma atenciosa. Pediu seus documentos para o preenchimento das passagens, e enquanto isso falava ao telefone, informando da celebridade que estava presente ali. Após quinze minutos de espera, a secretária lhe oferece um café. Ao erguer os olhos acima do generoso decote, Juca encontra uma belíssima morena de olhos verdes, cabelos pouco abaixo do ombro, e um sorriso mágico.
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Ao lembrar de sua condição de sol-tei-ro, Juca não exitou, e convidou-a para lhe acompanhar na agradável viagem. A secretária sorriu, o que parecia ser um aceno com a possibilidade de um gostoso sim. Juca, o solteiro das passagens, viajaria acompanhado de uma bela morena de olhos verdes. Ela combinaria com o resto da decoração natural do Tahiti.
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E na agência todos pareciam estar comemorando a glória de Juca, tão merecedor, e tão humilde, que tinha o direito e a legitimidade para ganhar o prêmio. Uma vida dolorida, de requebrar as juntas e os molejos, capaz de desconjuntar a mais sólida espinha, fazia de Juca o exato vencedor, aquele que não só ganha, mas aquele que também sempre mereceu ganhar.
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Enquanto isso, a sorridente gerente ia e voltava, sempre deixando Juca hipnotizado pela secretária escultural. Quando voltava, telefonava para empresas, hotéis e a direção do grupo, inclusive da VASP. Juca percebeu que o que estava ouvindo antes, e que pensava ser o turbilhão da cachoeira, na realidade era o agradável som da turbina de uma avião que o levaria para ouvir os sussurros do mar dos sonhos.
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Passada mais de uma hora ali, após uma estranha ausência de dez minutos, a gerente volta, e meio gaguejando informa que estava encontrando alguns problemas. Juca foi respondendo a ela as perguntas que surgiam, e depois de cerca de meia hora de absoluta enrolação, o telefone toca. A gerente diz sim senhor, não senhor, entendi e eu providenciarei.
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Olhando para Juca a gerente diz: Lamento Senhor Juca, mas houve um mal entendido e o Senhor não é o beneficiário dessa promoção.
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Juca então se revolta e pergunta como não. Recobrando a compostura de alguém que faria uma viagem que só magnatas fazem, acalmou-se e disse que tudo seria resolvido ali, pois ele era o ganhador sim, relatando como encontrou as passagens em seu apartamento.
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Ela pergunta novamente:
O senhor mora no centro?
Ele responde que sim.
Na Rua Fabiano Bonaroski?
Ele responde positivamente.
No Edifício Marco Puppo?
Ele acena com a cabeça.
No décimo quarto andar?
Sim novamente.
No apartamento 1401?
Juca, sentindo um abacaxi verde voltando de ré pela sua garganta, responde que não. Na realidade ele mora no 1402.
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Ela então responde que lamenta, mas houve um pequeno equivoco na entrega das passagens.
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Juca é tomado de um ódio que explode em palavrões. Depois de cinquenta sonoros “Puta que Paris”, cerca de duas dúzias de denominações variadas para o órgão genital masculino, uma dúzia de femininos, seis lazarentos e três desgraçados, ele se vê segurando o colarinho branco da gerente.
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Seguranças começam a despencar das paredes, e aparece uma câmera focando na cara de Juca. Quando Juca está prestes a finalizar a gerente, percebe-se que ela está rindo e chamando uma tal de “Produção”.
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Quando Juca engole um pouco de oxigênio, percebe uma multidão rindo, enquanto a gerente tira a peruca loira identificando-se como a apresentadora Sílvia Silva Santos, do Programa “Chegou a Sua Hora” da rede Tupiniquim de Televisão Digital.
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Os amigos de Juca começam a aparecer saindo de trás dos biombos, e não demora muito para a gerente falar como se estivesse declamando em um comercial de creme dental:
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- Parabéns senhor Juca! O Senhor participou da pegadinha de Primeiro de Abril, do programa “Chegou a Sua Hora”, no quadro “Eu Armei Para o Meu Melhor Amigo”.
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Dentre os amigos, Ediwancley se aproxima com os olhos molhados de tanto rir, e ainda sem fôlego, ri e curva-se apertando a barriga, contorcendo-se em descontrole, tudo isso sem tirar a mão do ombro de Juca. A apresentadora do programa então informa Juca de que Ediwancley foi o amigo cúmplice da brincadeira, ao que, todos respondem com uma calorosa salva de palmas, acompanhada de um coro tímido de Edi, Edi, Edi. Parece que Ediwancley havia feito alguns amigos durante a preparação do trote.
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Enquanto olhava a situação, o eco dos palavrões ditos por Juca momentos antes, lhe impede de falar qualquer coisa para seu amigão. E ele tenta decidir se dará o grande soco com a mão direita ou a esquerda, no nariz, no queixo ou no olho. Também resta a ele uma dúvida, sobre o que deveria fazer com a tal da Sílvia Silva Santos, tendo até a vontade de enfiar-lhe a mão dentro das calças e saber se ela também usava peruca nas partes pudendas.
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E no meio daquela balbúrdia, Juca viu-se com um avental xadrez e com uma lancheira do Cascão, mijando-se nas calças. A lembrança da maior vergonha de sua vida, com a trilha sonora dos cruéis amiguinhos rindo, havia lhe surgido real em sua memória. Tentando pensar em alguma coisa boa, Juca lembrou-se apenas de suas três reprovações no vestibular, e do dia que um indecente bateu o carro na traseira de seu fusca. Juca ainda tentava buscar uma memória boa, mas é interrompido pelo celular, que ao ser atendido, trás a Juca a voz gritada de seu ex-chefe: Você está demitido! Também não demora para o telefone tocar novamente, e dessa vez era a ex-namorada de Juca. Ele não a atendeu. Mas logo depois o identificador da chamada escrevia na tela do seu celular: Imobiliária.
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Juca então percebeu que o programa era transmitido ao vivo. Seu sangue esfriou e ele percebeu que estava sendo assistido pelo Brasil inteiro em uma espécie de concurso “O Otário do Ano”.
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Juca engoliu a raiva, e com a frieza do Bandido da Luz Vermelha, com a simpatia de Hugo Cháves, e ainda a agilidade mental de Rafinha Bastos, perguntou então se poderia falar alguma coisa no programa. A sorridente Sílvia Silva disse que claro que sim.
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Juca pegou o microfone, foi até a câmera e começou a falar:
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- Excelente a brincadeira. Uma pena que eu não tenha sabido brincar, pois ao pensar ser o ganhador destas passagens, eu vendi tudo que tinha por uma bagatela, perdi meu emprego e minha namorada, e fiquei sem ter onde morar. Também não vou deixar de contar que tudo isso que fiz agravou de forma definitiva o meu caos financeiro, e vendo agora que sou motivo de gargalhadas no Brasil inteiro, sinto já os primeiros sintomas de uma depressão profunda que vai me levar a cortar os pulsos, isso se eu conseguir algum dinheiro emprestado para comprar a navalha. Queria agradecer a esse filho de uma puta do Ediwancley, esse meu amigão, por ter me aprontado essa. Mas não é só, vendo aqui essa corja de amigos vagabundos, eu agradeço por não terem me advertido dessa armação. E à Rede Tupiniquim de Televisão, eu agradeço por ter acabado com minha vida para alcançar um recorde de audiência, e ofereço a transmissão ao vivo de meu suicídio em troca da compra do caixão, um terreno em algum cemitério da periferia, e uma lápide em mármore escrito em Arial 72 dourado “Vão tudo tomar no meio do seu cú seu bando de filhos de uma puta”.
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Um silêncio surge no cenário, e a apresentadora chama os comerciais.
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- Excelente a brincadeira. Uma pena que eu não tenha sabido brincar, pois ao pensar ser o ganhador destas passagens, eu vendi tudo que tinha por uma bagatela, perdi meu emprego e minha namorada, e fiquei sem ter onde morar. Também não vou deixar de contar que tudo isso que fiz agravou de forma definitiva o meu caos financeiro, e vendo agora que sou motivo de gargalhadas no Brasil inteiro, sinto já os primeiros sintomas de uma depressão profunda que vai me levar a cortar os pulsos, isso se eu conseguir algum dinheiro emprestado para comprar a navalha. Queria agradecer a esse filho de uma puta do Ediwancley, esse meu amigão, por ter me aprontado essa. Mas não é só, vendo aqui essa corja de amigos vagabundos, eu agradeço por não terem me advertido dessa armação. E à Rede Tupiniquim de Televisão, eu agradeço por ter acabado com minha vida para alcançar um recorde de audiência, e ofereço a transmissão ao vivo de meu suicídio em troca da compra do caixão, um terreno em algum cemitério da periferia, e uma lápide em mármore escrito em Arial 72 dourado “Vão tudo tomar no meio do seu cú seu bando de filhos de uma puta”.
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Um silêncio surge no cenário, e a apresentadora chama os comerciais.
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Entrou um intervalo comercial de quase uma hora, que repetia exaustivamente a propaganda de uma espécie de processador de frutas, uma câmera digital barata, e um grill com o nome de um lutador. Enquanto isso, os espectadores do programa ficaram aguardando o retorno do programa, mas após o intervalo que repetia "Ligue Já" e uma oferta para "Os primeiros dez telefonemas", o programa foi encerrado do estúdio, e a transmissão do local nunca mais retornou. .
Segundo comentários, Juca procurou um advogado e propôs uma ação de indenização moral e material contra a Rede Tupiniquim.
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Segundo comentários, Juca procurou um advogado e propôs uma ação de indenização moral e material contra a Rede Tupiniquim.
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Então o caso despertou o interesse de toda a imprensa, exceto da Rede Tupiniquim de Televisão Digital. As demais fizeram uma cobertura que deu destaque em todos os telejornais.
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Buscando informações sobre o assunto, alguns repórteres chegaram até Ediwancley. A ação não chegou a ser julgada, mas segundo informações do assessor de Juca, o próprio Ediwancley, ele deixou de falar sobre o caso há cerca de seis meses, quando saiu de viagem para a Inglaterra.
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Indagado sobre a possibilidade de entrevistar Juca sobre o caso, Ediwancley então disse ser impossível atualmente, pois Juca está de férias no Tahiti, e só retornará em seis meses, quando anunciará a compra da Rede Tupiniquim de Televisão Digital, que passará a se chamar Rede Juca de Televisão.
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Após a entrevista, quando o microfone estava desligado, Ediwancley confirmou que Juca estava acompanhado no Tahiti, porém não poderia divulgar o nome da mulher por questões de segurança. Quando lhe foi perguntado se poderia dar alguma pista dessa mulher misteriosa, Ediwancley só informou tratar-se de uma jovem morena de olhos verdes, e que sua aparência combina com a decoração natural da Polinésia Francesa.
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Informantes dizem que Ediwancley recebe um salário mínimo para trabalhar como assessor de Juca, como forma de cumprir um acordo judicial também.
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Quanto a apresentadora do programa “Chegou a Sua Hora” dizem que ela casou com o motorista da linha CIC Boqueirão, mas seu relacionamento atualmente está passando por dificuldades, pois a família está com problema de alcoolismo.
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A ex-namorada de Juca é professora de uma escola da periferia, mas está de licença segurança atualmente. Ela casou com um jogador de futebol com os dois joelhos estragados, e atualmente sem contrato, mas com uma proposta de um time da terceira divisão do Espírito Santo.
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Quanto ao programa, nunca mais voltou ao ar depois da venda do último daqueles processadores de fruta.
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Quanto ao processador, hoje mudou o nome para Juca Juicer, que é anunciado junto com a Juca Cam e com Juca Grill.
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Buscando informações sobre o assunto, alguns repórteres chegaram até Ediwancley. A ação não chegou a ser julgada, mas segundo informações do assessor de Juca, o próprio Ediwancley, ele deixou de falar sobre o caso há cerca de seis meses, quando saiu de viagem para a Inglaterra.
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Indagado sobre a possibilidade de entrevistar Juca sobre o caso, Ediwancley então disse ser impossível atualmente, pois Juca está de férias no Tahiti, e só retornará em seis meses, quando anunciará a compra da Rede Tupiniquim de Televisão Digital, que passará a se chamar Rede Juca de Televisão.
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Após a entrevista, quando o microfone estava desligado, Ediwancley confirmou que Juca estava acompanhado no Tahiti, porém não poderia divulgar o nome da mulher por questões de segurança. Quando lhe foi perguntado se poderia dar alguma pista dessa mulher misteriosa, Ediwancley só informou tratar-se de uma jovem morena de olhos verdes, e que sua aparência combina com a decoração natural da Polinésia Francesa.
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Informantes dizem que Ediwancley recebe um salário mínimo para trabalhar como assessor de Juca, como forma de cumprir um acordo judicial também.
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Quanto a apresentadora do programa “Chegou a Sua Hora” dizem que ela casou com o motorista da linha CIC Boqueirão, mas seu relacionamento atualmente está passando por dificuldades, pois a família está com problema de alcoolismo.
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A ex-namorada de Juca é professora de uma escola da periferia, mas está de licença segurança atualmente. Ela casou com um jogador de futebol com os dois joelhos estragados, e atualmente sem contrato, mas com uma proposta de um time da terceira divisão do Espírito Santo.
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Quanto ao programa, nunca mais voltou ao ar depois da venda do último daqueles processadores de fruta.
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Quanto ao processador, hoje mudou o nome para Juca Juicer, que é anunciado junto com a Juca Cam e com Juca Grill.
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Se fosse verdade, restaria a certeza de que audiência não é tudo, exceto quando ela é parte de um procedimento judicial. E também não seria tolice dizer que devemos tomar cuidado com o que fazemos com nossos amigos.
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Mas tudo isso não passa de um sonho bem humorado de alguém que não tem tempo para dormir.
Mas tudo isso não passa de um sonho bem humorado de alguém que não tem tempo para dormir.
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