domingo, 19 de agosto de 2007

O Canibalismo e o Mal das Asas. E a justiça? (Samuel Rangel)


Até onde devemos ir.

O mundo, de forma geral, tem sido um palco de horrores. Sem o alarmismo sensacionalista, mas sem a passividade alienada, é certo que melhoramos após a morte de Drácula, evoluímos com o final das Cruzadas, crescemos com os Direitos Humanos e nos desenvolvemos após a Revolução Industrial. Porém, há algo na humanidade que insiste em nos remeter ao primitivo.

Os Canibais que habitavam estas terras brasileiras, alimentavam-se de seus inimigos, imaginando que ao ingerir seus cérebros, absorveriam os conhecimentos das vítimas. De certa forma a burrice já era de pronto revelada, pois o vencedor queria absorver a inteligência do perdedor. Se a sua inteligência fosse tão valiosa assim o perdedor não acabaria em uma fogueira.

O Canibal de hoje em dia, é aquele que alimenta suas vitórias das derrotas alheias. O funcionário que provoca a demissão de seu superior almejando o seu cargo. O profissional liberal que remete o valor de seus serviços ao irrisório para ganhar a concorrência.

Muito parecido com isso foi o que aconteceu recentemente com a Varig, quando as outras empresas fizeram despencar o valor das passagens aéreas abaixo do transporte rodoviário de luxo. A empresa mais antiga não ia bem das “asas”, foi armado um complô para acabar de botar a Varig na panela. E foi mesmo. Mas como vimos na tragédia fresca em nossas memórias, um canibalismo que fez com que poltronas fossem amontoadas em aviões superlotados, que não podiam parar sequer para a manutenção necessária e aconselhável. Mas a justiça brasileira é acostumada a estipular pequenas indenizações nesse tipo de ocorrência. Para tanto basta ver o acidente da mesma empresa acontecido a quase uma década.

Aliás, justiça brasileira que concede o direito à liberdade aos juízes que estão sendo julgados pela prática de venda de sentenças, consultoria ao narcotráfico, e mais todo o tipo de maracutaia que boa parte dos brasileiros não ousaria fazer sequer nos tempos de escola.


O Poder Judiciário este que já foi encabeçado por Jobim. Não, não o maestro Jobim. Um advogado que em seu pulso firme na condução das velas que pretendem alumiar o apagão aéreo, como primeiro ato, determina menos poltrona por avião, pois o nosso Ministro é “grandalhão”. Seria para reduzir o núemro de vítimas do próximo acidente?

Mas vamos olhar pelo lado bom. Vendo esse ministro assumir a pasta (com ou sem dólares só o tempo irá dizer), pensando em si ao assumir o comando coletivo (do coletivo), mostra-nos bem a situação do país.

Seria mais ou menos o seguinte. Em um dia chuvoso, você embarca no ônibus Vicente Machado, em plena praça Zacarias, no centro de Curitiba. Paga a passagem sem perguntar o nome do motorista, e logo na primeira esquina vê ele fazer um conversão inesperada à esquerda. Como todo bom passageiro, você até questiona ao cidadão ao lado o que esta acontecendo. E assim irá por uma quadra, duas, três, até que quando todos estão pescoceando para tentar descobrir o que acontece, você, em um dos raros momentos que toma a liderança, vai até o motorista e indaga-o sobre o que esta acontecendo. Ele simplesmente lhe responde: - Vou passar na casa de Mônica.

Após algum tempo você percebe que embarcou no ônibus do Renan Calheiros, que como todos os dirigentes deste país maravilhoso, desta nação razoável, mas deste Estado de Merda, que todos dirigem as coisas de acordo com os seus objetivos, e jamais pensaram ou pensarão em comunidade. Indignado você desce e procura outro ônibus, e vai passando por vários motoristas. “Reiquião” quer visitar Chaves (o da Venezuela, não o do SBT), Lula quer ir ao churrasco do futebol e precisa pegar o time do sindicato, desembargadores querem ir para o Graciosa, Juízes nem querem andar, promotores querem ir para a televisão, advogados querem ir para o Banco $$$$, mulheres querem ir ao shopping (gastar o dinheiro dos advogados), homens querem uma Ferrari, crianças querem ir ao cinema assistir Transformers.

E assim vamos. Ou melhor, não vamos

Samuel Rangel

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